Quem foi Laureano Ruiz — e por que seu nome está quase esquecido
Laureano Ruiz Quevedo, nascido em 1937 em Escobedo de Villafufre, na Cantábria, assumiu em 1972 a responsabilidade pela categoria de base do FC Barcelona. Ele permaneceu por seis anos — e, nesse período, transformou o DNA do clube.
Três de suas decisões geram impactos até hoje:
Ele aboliu as exigências de altura. Antes de Ruiz, valia no Barça o mesmo que em todo lugar: quem era baixo acabava dispensado. Ruiz inverteu o critério — buscavam-se jogadores tecnicamente fora de série e inteligentes para jogar, independentemente da estatura. Sem essa decisão, décadas mais tarde não haveria espaço para nomes como Xavi, Iniesta ou Messi.
Ele consolidou uma metodologia contínua. Ruiz exigia que todas as equipes de base treinassem e jogassem sob os mesmos princípios — para que o jogador, ao subir para a categoria seguinte, não precisasse reaprender tudo. O que hoje qualquer clube chama de "filosofia de treino unificada" era revolucionário nos anos 70. Como os clubes aplicam isso hoje: Filosofia de treino unificada no clube.
Ele fez do rondo o pilar central. A roda de bobinho em superioridade numérica já existia antes — mas Ruiz a transformou em ferramenta sistemática de formação. Seu lema, transmitido em essência: pés rápidos são bons — olhos rápidos e mente rápida são melhores. Quem domina isso no espaço reduzido dominará mais tarde no campo aberto.
Cruyff e Guardiola serem vistos hoje como os pais do estilo Barça não é incorreto — eles transformaram a ideia em um sistema mundial. Mas os alicerces sobre os quais construíram foram erguidos por Ruiz. Em 2013, ele apresentou seu livro sobre o autêntico método do Barça no Camp Nou — o reconhecimento tardio de um homem que formulou a ideia de formação mais importante do futebol moderno: crianças aprendem futebol aprendendo a ler o espaço.
O que jogo de posição realmente significa
"Jogo de posição" (do espanhol: juego de posición) é frequentemente incompreendido — tratado apenas como sinônimo de posse de bola ou como uma simples escolha de esquema tático. As duas visões são superficiais.
O jogo de posição é um princípio de organização: o campo é dividido mentalmente em zonas, e os jogadores ocupam os espaços de modo que o portador da bola sempre tenha várias opções de passe em diferentes alturas e ângulos. As ideias centrais:
Criar superioridade numérica na bola. Onde a bola está, quero ter um jogador a mais que o adversário — para que haja sempre uma solução livre. Como a superioridade é criada e aproveitada: Criar e aproveitar superioridade numérica.
Garantir amplitude e profundidade. Os espaços não surgem por acaso — eles são abertos pelo posicionamento dos companheiros. Quem fica muito próximo acaba ajudando o adversário a marcar.
Jogar entre as linhas. Os espaços mais valiosos ficam entre as linhas adversárias. Quem consegue receber ali desestrutura o bloco rival.
Inverter o jogo para infiltrar. A circulação da bola não é um fim em si mesma — ela atrai o adversário para um lado para atacar o espaço livre do lado oposto.
O ponto decisivo para a categoria de base: jogo de posição não é uma formação que você "ensina" decorada para as crianças. É uma forma de perceber o jogo — enxergar espaços, ocupar espaços, explorar espaços. E é exatamente por isso que ele não começa na prancheta tática, mas em jogos reduzidos.
Por que as crianças devem aprender espaço antes da tática
A objeção clássica é: o jogo de posição não é complexo demais para crianças? A resposta: o sistema é complexo. As peças fundamentais não são.
Uma criança não precisa entender um 4-3-3 para aprender:
- Eu me afasto do adversário, em vez de correr na direção da bola.
- Eu me posiciono de forma a enxergar a bola e o campo ao mesmo tempo.
- Quando meu companheiro está com a bola, ofereço duas opções de passe.
- Não resolvo a pressão com força, mas com o primeiro toque direcionado ao espaço livre.
Isso não são instruções táticas rígidas — são hábitos de percepção e tomada de decisão. E existe uma janela de aprendizado perfeita para isso: a idade de ouro do aprendizado motor, entre aproximadamente 9 e 12 anos, na qual as crianças assimilam padrões de movimento e percepção mais rápido do que em qualquer outra fase. Veja mais: A idade de ouro do aprendizado no futebol.
A grande sacada de Ruiz foi justamente essa ordem: primeiro a percepção, depois a técnica como ferramenta dessa percepção, e só então — muito mais tarde — a estrutura tática complexa. Uma criança que aos dez anos aprendeu a olhar ao redor antes de dominar a bola e direcionar o primeiro contato para o espaço livre aprenderá qualquer sistema aos quinze. O inverso não funciona.
A ciência esportiva moderna comprova o acerto do antigo treinador: estudos sobre scanning mostram que a leitura do ambiente antes de receber a bola está diretamente correlacionada à qualidade do passe — e que essa capacidade pode ser treinada, quanto mais cedo, melhor. Saiba mais: Scanning e orientação espacial no futebol.
O rondo: o exercício mais subestimado do mundo
Visto de fora, um rondo parece apenas recreação: uma roda de jogadores mantendo a bola enquanto um ou dois no meio tentam desarmar. Um simples "bobinho". Quem pensa assim não enxerga o potencial do exercício.
Um rondo bem orientado treina simultaneamente:
| Fundamento | O que acontece no rondo |
|---|---|
| Primeiro toque | Cada domínio precisa preparar o passe seguinte — sob pressão, em espaço reduzido |
| Qualidade do passe | Firme, rasteiro, no pé certo — caso contrário, perde-se a superioridade |
| Postura corporal | Perfilado, enxergando ambas as opções — quem se posiciona de costas fica bloqueado |
| Scanning | Olhar sobre o ombro antes de receber — onde está o marcador, onde está o homem livre? |
| Velocidade de decisão | Um ou dois toques, sem tempo para hesitar — decidir vira reflexo automático |
| Pressão | Quem marca aprende ao mesmo tempo: fechar ângulos, cortar linhas de passe |
Esse é o motivo pelo qual Ruiz colocou o rondo no centro de tudo e por que o Barça abre cada treino com ele até hoje: ele condensa a gramática básica do jogo de posição em poucos metros quadrados. Aproveitar a superioridade numérica, abrir espaço, manter a precisão sob pressão — na roda está o jogo inteiro.
Os detalhes que transformam recreação em treino de alto nível são:
- O tamanho do campo dita a curva de aprendizado. Grande demais: sem pressão real. Pequeno demais: apenas frustração. Regra prática para começar: justo o suficiente para que a ação ainda seja viável com esforço.
- Regras de troca bem claras. Errou o passe, vai para o meio — na hora, sem discussão. A dinâmica contínua gera a intensidade.
- Controlar o limite de toques. Dois toques para avançados, livre para iniciantes, um toque como nível máximo — a regra é o seu controle de dificuldade.
- Cobrar qualidade real. Um rondo com bolas pipocando e sem correções só serve para treinar desatenção.
A metodologia: do espaço reduzido ao jogo grande
A frase que resume a metodologia de Ruiz é: domine o jogo no espaço reduzido — o exercício cresce conforme os atletas evoluem — e você dominará o campo inteiro.
Dessa lógica surge uma escada metodológica clara:
Nível 1 — Rondos (superioridade numérica em círculo): 4 contra 1, 5 contra 2, 6 contra 2. Formato estático de base, com foco em primeiro toque, qualidade de passe e postura corporal perfilada.
Nível 2 — Rondos posicionais: O círculo ganha formato e referências. Em um quadrado de 4 contra 2 com lados fixos, surgem as primeiras funções: quem está nas pontas garante amplitude; quem recebe busca o terceiro homem. A famosa tabela com o terceiro homem nasce aqui. Aprofunde-se: Padrões de combinação e linguagens de jogo.
Nível 3 — Jogos de posição (juegos de posición): Agora com direção e zonas: 4 contra 4 mais 3 coringas, 6 contra 6 mais 2, campos com zona intermediária. Existem zonas de construção e zonas-alvo, a superioridade surge com os apoios neutros, e a pergunta central de cada lance é: manter, inverter ou infiltrar?
Nível 4 — Jogos condicionados com gols: Os princípios são transferidos para situações reais de jogo: campos reduzidos com zonas de construção, regras de indução ("gol vale o dobro após inversão de lado"), jogos em superioridade. Aqui o jogo de posição se conecta à finalização e às transições. Fundamentos: Jogos em campo reduzido e formatos reduzidos.
Nível 5 — O jogo formal: 9 contra 9 ou 11 contra 11 com marcações de zonas, onde os mesmos princípios se aplicam — apenas em escala maior. A escada se completa: o que começou na roda de 5 contra 2 agora é saída de bola contra pressão alta. Tema complementar: Construção de jogo na categoria de base.
O ponto metodológico fundamental: trata-se da mesma ideia em cada degrau. Crianças entram na base da escada, profissionais treinam no topo — mas ninguém precisa desaprender nada ao subir de nível. Era exatamente isso que Ruiz chamava de continuidade do método.
Jogo de posição por categoria: um plano progressivo
Como distribuir essa progressão pelas categorias? Uma estrutura testada na prática:
| Categoria | Foco principal | Formatos típicos |
|---|---|---|
| Sub-7 a sub-9 (5–8) | Domínio de bola, 1 contra 1, jogo livre | Ainda sem jogo de posição — dribles, jogos pequenos, muitos gols |
| Sub-11 (9–10) | Primeiros rondos, primeiro toque, olhar ao redor | 4 contra 1, 5 contra 2 lúdico, pequenos jogos com superioridade |
| Sub-13 (11–12) | Rondos posicionais, terceiro homem, abrir o espaço | 4 contra 2 posicional, 4 contra 4 + 3, campos divididos em zonas |
| Sub-15 (13–14) | Jogos de posição direcionados, inversão, passe entre linhas | 6 contra 6 + 2, jogos em três zonas, saída contra pressão |
| Sub-17 (15–16) | Jogo de posição contextualizado no sistema, leitura do rival | 8 contra 8 com desenho tático, dinâmicas setoriais específicas |
| Sub-19 (17+) | Aplicação do plano de jogo, adaptações e variações | Jogos em campo aberto, ajustes estratégicos contra adversários |
Dois alertas fundamentais sobre essa tabela:
Não queime etapas antecipando conteúdos. O erro mais comum de treinadores ambiciosos: aplicar conceitos de sub-15 no sub-11. Um garoto de nove anos não precisa de saída de bola em três zonas — ele precisa de mil primeiros toques sob leve pressão. Orientação: Treino de futebol adequado a cada idade.
Não sacrifique o 1 contra 1. Jogo de posição sem coragem para o drible cria robôs de passe lateral. Ruiz buscava jogadores tecnicamente completos — o drible faz parte da formação tanto quanto o passe. Mantenha o equilíbrio: Como treinar o 1 contra 1 no futebol.
Seis formatos de treino para começar
Exercícios práticos para você introduzir o jogo de posição no seu treino — em ordem crescente de complexidade:
1. Rondo 5 contra 2 (a partir do sub-11). Círculo com cerca de 8 metros de diâmetro. Dois toques. Quem perde a posse ou erra o passe troca com quem está marcando. Foco de orientação: postura corporal perfilada, passe no pé mais distante da marcação.
2. Rondo duplo com inversão (a partir do sub-13). Dois círculos de 4 contra 1 lado a lado. Após ao menos quatro passes, a bola pode ser invertida para o outro círculo — onde o marcador correspondente passa a pressionar. Foco de orientação: identificar o momento certo da inversão; cabeça erguida após o terceiro passe.
3. 4 contra 2 para 4 contra 2 (a partir do sub-13). Dois quadrantes vizinhos, cada um com 4 contra 2. Ao completar seis passes, a bola é invertida para o outro campo; dois defensores se deslocam para pressionar. O modelo clássico de "atrair a marcação para um lado e jogar no espaço livre".
4. Jogo de posição 4 contra 4 + 3 (a partir do sub-13/sub-15). Retângulo de aproximadamente 25 × 20 metros. Duas equipes de quatro, três coringas neutros (um centralizado e dois nas linhas de fundo). O time com a posse joga com os coringas em 7 contra 4. Dez passes = um ponto. Foco de orientação: acionar o coringa central, jogar pelo terceiro homem.
5. Saída de bola em três zonas (a partir do sub-15). Campo dividido em três setores. Construção em 4 contra 2 na primeira zona; progressão para a zona central permitida apenas com passe no meia centralizado (camisa 10), seguida de finalização na terceira zona em 3 contra 2. Foco de orientação: paciência na construção, aceleração após quebrar a linha.
6. Jogo reduzido com regra de inversão (a partir do sub-15). 7 contra 7 com goleiros em dois gols normais, campo dividido verticalmente ao meio (esquerda/direita). Gols marcados após inverter o corredor no ataque valem o dobro. Foco de orientação: o passe de lado não é atraso de jogo — é a ferramenta para atrair e desequilibrar.
Todos os seis formatos dependem de organização impecável: dimensões de campo, regras de rodízio, bolas de reposição prontas na lateral. Ao desenhar e salvar esses exercícios de forma organizada, você constrói sua própria biblioteca de jogo de posição ao longo da temporada — recursos para isso: Desenhar exercícios com o Sketch e Montar um banco de exercícios próprio.
Como orientar no jogo de posição: o que você fala — e o que não fala
O treino de jogo de posição falha com mais frequência na postura do treinador do que no desenho dos exercícios. O formato cria as situações — mas quem determina se aquilo vira aprendizado é o treinador na beira do gramado.
Faça perguntas antes de dar ordens diretas. "Onde estava o espaço livre?" ensina muito mais do que berrar "Toca na esquerda!" — o objetivo central é que os jovens identifiquem os espaços por conta própria. O método de questionamento na prática: Treinamento de tomada de decisão no futebol.
Oriente a percepção, não apenas o gesto técnico. O erro no passe quase nunca é apenas técnico — a falta de scanning prévio costuma ser a causa real. Corrija o passo anterior: "O que você conseguiu ver antes de a bola chegar até você?"
Congele lances-chave — com moderação. Uma ou duas pausas rápidas por sessão para mostrar a todos: aqui tínhamos superioridade numérica, aqui estava o espaço. Interrupções em excesso destroem o ritmo de jogo, que é o coração desse método.
Elogie o comportamento correto, não só o desfecho. Um passe vertical ousado entre as linhas que acaba interceptado tem mais valor formativo do que um passe lateral fácil e covarde. Elogiar apenas quem não erra cria jogadores receosos — o oposto do que o jogo de posição exige.
Use termos claros para os espaços. "Entre as linhas", "na mesma linha", "nas costas da marcação" — se o seu time domina esses conceitos, você orienta em segundos o que outros levariam minutos para explicar. O poder da fala do treinador: Comunicação e feedback do treinador.
Erros típicos no treino de jogo de posição
Posse de bola estéril. Trocar vinte passes sem ganhar campo não é jogo de posição, é apenas controle vazio. Toda atividade precisa de um objetivo claro: uma zona-alvo, uma quebra de linha ou o gol.
Complexidade precoce. Três zonas, cinco regras extras, dois coringas — e as crianças ficam perdidas sem entender nada. Uma regra nova por semana é mais do que suficiente.
Rondos sem correção ativa. Usar o rondo só como aquecimento passivo enquanto o treinador ajeita os cones no gramado é um dos maiores desperdícios de tempo no futebol.
Jogo de posição restrito aos titulares. Se apenas o time principal entende os princípios, o padrão desmorona a cada substituição. O método só funciona se todos falarem a mesma linguagem tática.
Negligenciar a exigência física. O espaço reduzido é desgastante: acelerações constantes, giros e duelos curtos. Planejar jogos de posição exige planejar carga — pausas e trocas precisam fazer parte da montagem da sessão. Entenda mais: Treinamento contextualizado e real de jogo.
Descuidar da transferência para a partida. Treinar rondo na terça e cobrar ligação direta no sábado confunde a equipe. A ideia trabalhada no treino precisa se refletir no jogo — caso contrário, vira apenas teoria sem efeito prático.
De Ruiz a Cruyff e Guardiola: como uma ideia foi transmitida
Por que vale a pena estudar um treinador da década de 1970? Porque a trajetória do jogo de posição mostra como ideias de formação sobrevivem: não por indivíduos isolados, mas por estruturas sólidas que resistem à troca de pessoas.
Ruiz (1972–1978) fincou os alicerces: seleção por inteligência de jogo, metodologia unificada da base ao topo e o espaço reduzido como ambiente mestre de ensino. Ele chegou a comandar a equipe principal interinamente — mas seu legado definitivo foi a estruturação da categoria de base.
Cruyff (a partir de 1988) consolidou a identidade global. Como treinador do time principal, exigiu que todas as categorias jogassem no mesmo sistema dos profissionais — dando ao método o respaldo e a obrigação institucional que faltavam. La Masia, aberta em 1979 como alojamento, tornou-se sob sua visão um ecossistema completo: filosofia de jogo, formação técnica, convivência e estudos.
Guardiola (jogador desde 1990, treinador a partir de 2008) foi a prova prática. O meio-campista franzino que o modelo físico do passado teria descartado era produto direto dos critérios de Ruiz — e, no comando técnico, traduziu a metodologia na era mais vencedora da história recente do clube. Sua clássica resposta aos críticos do "tiki-taka" é puro Laureano Ruiz: posse de bola sem intenção não serve para nada — o objetivo é mexer o adversário para atacar o espaço aberto.
Três gerações, uma única ideia. O aprendizado para qualquer clube: uma filosofia que reside apenas na mente de um treinador morre quando ele vai embora. Uma filosofia documentada, treinada e sustentada pela diretoria perdura por décadas. Como estruturar essa continuidade: Filosofia de treino no clube e Como estruturar uma academia de futebol.
A estrutura competitiva também influencia: jovens atletas na Espanha competem em campos oficiais de 11 contra 11 e por pontos corridos desde cedo — e é justamente por isso que os clubes formadores de ponta blindam o ambiente de aprendizagem no treino com tanto rigor. Conheça os detalhes: Sistema de ligas de base na Espanha.
Um exemplo completo de sessão (90 minutos)
Veja a estrutura de uma sessão focada em jogo de posição para o sub-13 — pronta para você adaptar à sua realidade:
Parte 1 — Chegada & Rondo (20 minutos).
Dois rondos de 5 contra 2 em paralelo, áreas de aproximadamente 8 × 8 metros. Primeiros 5 minutos com toques livres, depois limitados a dois toques. Orientações: posicionamento com corpo aberto ("Quero que você enxergue os dois marcadores"), passe direcionado ao pé distante. Últimos 5 minutos em clima de disputa: qual grupo consegue sequências com mais de dez passes?
Parte 2 — Técnica aplicada à situação real (20 minutos).
4 contra 2 com referências posicionais: quatro apoios nas laterais de um quadrado (12 × 12 metros), dois marcadores no centro. A cada cinco passes certos, dois atletas das laterais trocam de posição entre si — estimulando a reorganização rápida da percepção. Orientações: olhar sobre o ombro antes de receber; primeiro toque para longe da marcação.
Parte 3 — Jogo de posição (25 minutos).
4 contra 4 + 3 coringas em 25 × 20 metros. Dez passes = um ponto; o ponto vale o dobro se a jogada tiver a participação do coringa central. Dois tempos de 8 minutos com 2 minutos de intervalo e uma reflexão guiada: "Quando vale a pena colocar a bola por dentro — e quando a melhor escolha é circular por fora?"
Parte 4 — Jogo condicionado com gols (20 minutos).
5 contra 5 em dois minigols, campo dividido em dois corredores verticais. Regra indutora: gols só valem o dobro se a equipe inverter o corredor da bola antes do arremate. Intervenções apenas em pausas naturais — o protagonismo da tomada de decisão é dos jovens.
Encerramento (5 minutos). Uma pergunta final na roda: "Qual foi o momento em que a equipe melhor encontrou o espaço livre hoje?" Os atletas respondem, o treinador escuta. O aprendizado precisa ser deles.
A lógica dessa sessão: a mesma ideia trabalhada em cada fase, complexidade progressiva e encerramento com dinâmica de jogo solto. Saiba como estruturar suas sessões de maneira consistente: Planejamento e montagem de treinos.
Como você identifica o progresso
O desenvolvimento no jogo de posição não se mede por placares de fim de semana — uma equipe sub-13 pode estar evoluindo muito bem nos treinos e ainda assim ser derrotada por 4 a 2. Sinais reais de progresso para você observar:
No treino:
- As sequências de passes no rondo aumentam, mesmo quando você reduz o espaço.
- Os atletas escaneiam o campo antes de dominar a bola — de forma espontânea.
- O primeiro toque passa a ser direcionado ao espaço vazio, e não apenas devolvido a quem passou.
- Surgem tabelas e combinações usando o "terceiro homem" — o indicativo mais claro de percepção espacial aguçada.
Nas partidas:
- Ao recuperar a bola, o time busca um passe inteligente em vez de apenas dar um chutão para frente.
- Meio-campistas e atacantes aparecem nas entrelinhas para oferecer linha de passe, mesmo sob pressão.
- Após cometer um erro de passe, o atleta mantém a coragem para tentar a jogada certa de novo.
No acompanhamento individual: Avaliar periodicamente os atributos táticos dos jogadores — compreensão de jogo, posicionamento sem bola, tomada de decisão — revela curvas de desenvolvimento contínuas, sem ilusões de curto prazo. Ao longo do ano, isso evidencia progressos invisíveis em uma única partida. Ferramentas úteis: Avaliação de jogadores no futebol e Monitoramento da evolução de atletas.
O que do mito de La Masia é realmente aplicável
Uma análise realista para fechar: nenhuma equipe amadora vai virar La Masia da noite para o dia. Carga horária de treino profissional, rede global de captação, alojamentos de alto nível — nada disso se copia facilmente. Contudo, o coração da herança de Ruiz não depende de orçamento financeiro. Depende de quatro decisões de gestão que qualquer equipe pode adotar:
1. Captação e avaliação por inteligência de jogo, não por tamanho físico. O meio-campista franzino que hoje sofre nos duelos físicos pode ser o seu jogador mais brilhante daqui a três anos. Quem avalia apenas porte físico descarta os talentos errados: Identificação de talentos no futebol.
2. Metodologia padronizada entre as equipes. Princípios idênticos do sub-11 ao sub-19 — para que subir de categoria seja um processo natural, sem recomeços do zero.
3. O espaço reduzido como rotina principal. Rondos e jogos posicionais integrados ao dia a dia de cada sessão, não apenas usados de vez em quando.
4. Paciência como compromisso estrutural. Formar no jogo de posição pode custar algumas vitórias no sub-13, mas entrega jogadores muito mais prontos e inteligentes no sub-19. Clubes que sustentam esse processo colhem os frutos no longo prazo.
A visão de Laureano Ruiz passou por cinquenta anos de testes práticos de alto nível — dos campos da base catalã até os títulos mundiais de 2010. Ela se encaixa perfeitamente em qualquer gramado. Inclusive no seu.
A linguagem do jogo de posição: pequeno glossário
Para aplicar o jogo de posição, treinadores e jogadores precisam falar a mesma língua. Os termos fundamentais:
Rondo: Roda de bobinho em superioridade numérica e sem direção de ataque (ex.: 5 contra 2). A base técnica para treinar postura corporal e primeiro toque.
Jogo de posição / Juego de posición: Jogo condicionado em superioridade com direção, setores definidos e funções táticas (ex.: 4 contra 4 + 3). Onde a técnica pura se transforma em inteligência de jogo.
Terceiro homem: Triangulação em que um passe encontra um companheiro desmarcado usando um pivô de apoio intermediário. Se A não tem linha direta para C, passa para B, que escora de primeira para C. A forma mais eficiente de quebrar marcações individuais.
Entrelinhas: O setor de campo posicionado entre a linha média e a linha defensiva do adversário. Receber a bola ali obriga os zagueiros a saírem da zona de conforto.
Amplitude e profundidade: As duas dimensões usadas pela equipe com a posse para esticar a marcação adversária. A amplitude abre espaços no sentido horizontal; a profundidade (corridas atacando as costas da zaga) empurra a defesa para trás.
Inversão de jogo: Mudança rápida do corredor da bola após atrair o rival para um setor específico. Não é retrocesso; é o gatilho para atacar o espaço desprotegido no lado fraco do oponente.
Linhas de passe ativas: A responsabilidade constante de quem está sem a bola: oferecer ângulos, sair do raio de ação do marcador e escapar da sombra de marcação. No jogo de posição, 90% do trabalho acontece sem a bola nos pés.
Resistência à pressão: Capacidade de tomar decisões lúcidas e executar ações técnicas limpas sob forte marcação — tanto na parte mecânica (primeiro domínio) quanto mental (manter a calma e não rifar a bola). Trabalhada intensamente em qualquer rondo reduzido.
Se seus atletas assimilarem esses conceitos e souberem utilizá-los no gramado, você terá desenvolvido mais conteúdo tático real do que muitas equipes conseguem em temporadas inteiras de preleções teóricas.
Continue lendo: La Masia: como o FC Barcelona treina.
Perguntas frequentes sobre jogo de posição com crianças
Cinco lições práticas sobre jogo de posição com crianças
1. Espaço antes da tática: crianças desenvolvem hábitos de percepção e tomada de decisão antes de absorver esquemas — a melhor fase está entre 9 e 12 anos.
2. O rondo é a base de tudo — quando bem orientado: primeiro domínio orientado, postura corporal funcional, scanning constante e decisão rápida.
3. Uma escada, a mesma identidade: do 5 contra 2 básico aos jogos de posição e ao campo formal — os conceitos continuam os mesmos ao subir de nível.
4. Oriente através de perguntas e estimule a leitura do jogo, e não apenas a execução dos movimentos — valorize passes verticais corajosos, mesmo que saiam errados.
5. O legado de Ruiz é plenamente aplicável: valorize inteligência em vez de porte físico, adote um método unificado, faça do campo reduzido sua sala de aula e tenha paciência no processo.
Todos os artigos sobre jogo de posição e formação
- Criar e aproveitar superioridade numérica
- Padrões de combinação e linguagens de jogo
- Construção de jogo na categoria de base
- Jogos em campo reduzido e formatos reduzidos
- Scanning e orientação espacial no futebol
- Como desenvolver a inteligência de jogo
- A idade de ouro do aprendizado no futebol
- Filosofia de treino unificada no clube
- Sistema de ligas de base na Espanha
Coach OS: sua biblioteca de jogo de posição
Uma metodologia unificada para todas as categorias de base — essa foi a grande revolução de Laureano Ruiz. O Coach OS ajuda você a colocar essa ideia em prática no campo.
Mais de 1.244 exercícios animados, incluindo rondos e jogos de posição para cada faixa etária — filtrados por idade, nível e tamanho do grupo. Com o Sketch, você desenha suas próprias variações e cria o acervo exclusivo do seu clube. E com o Club OS, toda a comissão técnica treina alinhada sob os mesmos princípios.
→ Teste 30 dias grátis: coach-os.com