Por que o treinamento de goleiros é frequentemente negligenciado
Você conhece essa sensação? Você está no campo após o treino e pensa: hoje os goleiros quase não receberam atenção de novo. Mais uma vez.
Isso não é um caso isolado. É o peso na consciência mais comum no futebol de clube.
Especialmente nas divisões inferiores e categorias de base iniciais, é regra que os treinadores não tenham tempo para planejar um treino individual específico para o seu camisa 1 – além das duas ou três sessões semanais com a equipe. Um treinador de goleiros? Pouquíssimos clubes nesse nível têm um.
E mesmo assim: O goleiro é o último jogador antes do gol. Cada uma de suas ações pode decidir diretamente a vitória ou a derrota. Erros técnicos são punidos imediatamente e sem piedade. Estatisticamente falando, ele precisa resolver em média menos de dez situações realmente perigosas por jogo – mas cada uma delas exige um nível máximo de exigência.
Além disso: Um goleiro seguro fortalece toda a defesa. Os defensores agem com mais coragem quando sabem que há alguém confiável atrás deles. Por outro lado, a insegurança e o nervosismo de um goleiro se transmitem rapidamente para os jogadores de linha. A defesa de uma equipe depende diretamente da qualidade do camisa 1.
A boa notícia: Você não precisa resolver esse problema com horários extras e treinos especiais. A solução mais eficiente é outra – e vamos mostrá-la neste artigo.
O ABC do jogo de goleiro: O que um camisa 1 precisa saber
Para planejar o treino corretamente, é preciso primeiro entender o que faz um bom goleiro. O rendimento em jogo de um goleiro é composto – como em qualquer outro jogador – por quatro áreas:
Técnica
Este é o fundamento. Sem dominar perfeitamente as técnicas básicas, nenhum goleiro consegue manter um bom rendimento de forma constante. Os principais pilares técnicos:
- Encaixe de bolas rasteiras, meia-altura e altas
- Soco em bolas altas
- Impulsão, ponte (salto) e queda segura
- Lançamento com as mãos e tiro de meta/reposição com os pés
- Controle de bola com os pés (construção de jogo, regra do recuo)
Especialmente o último ponto é frequentemente subestimado. Desde a introdução da regra do recuo, um goleiro que não sabe trabalhar bem a bola com os pés é um ponto fraco grave na construção de jogo.
Tática
O goleiro é mais do que um defensor de chutes. Ele é o primeiro defensor – e ao mesmo tempo o primeiro atacante na construção de jogo. A compreensão tática inclui:
- Posicionamento em finalizações de diferentes ângulos e distâncias
- Posicionamento em cruzamentos e passes para a grande área
- Comportamento em bolas paradas (escanteios, tiros livres)
- Situações de um contra um com um atacante
- Orientação do sistema defensivo
Preparo físico
Mesmo que o goleiro corra menos que os jogadores de linha: explosão, capacidade de reação e impulsão são decisivas. As principais exigências físicas:
- Flexibilidade e agilidade
- Velocidade de ação e reação
- Resistência aeróbica básica
- Impulsão
- Força física e firmeza corporal
Aspecto psicológico
Talvez a área mais subestimada. O goleiro atua isolado. Cada erro fica evidente imediatamente. Por isso ele precisa de:
- Motivação e atitude mental positiva
- Capacidade de concentração durante os 90 minutos
- Coragem e disposição para assumir riscos
- Poder de liderança perante a própria equipe
- Autoconfiança – mesmo após um erro
Um verdadeiro goleiro de alto nível precisa dominar todas as quatro áreas. A longo prazo, fraquezas em uma área não podem ser compensadas por pontos fortes em outra.
Técnicas de goleiro: Visão geral dos fundamentos
Os fundamentos técnicos são a base de tudo. Antes de treinar a tática dos goleiros, as técnicas básicas precisam estar consolidadas. Aqui estão as principais com os pontos decisivos de correção.
A postura base correta
Como deve ser:
- Pés afastados na largura dos ombros
- Joelhos levemente flexionados, peso do corpo na ponta dos pés
- Braços dobrados, palmas das mãos voltadas uma para a outra
- Tônus muscular ativado
- Olhar concentrado na bola
O erro mais comum: O goleiro apoia toda a sola do pé no chão – e com isso fica travado. Ele não consegue reagir de forma explosiva porque precisa primeiro deslocar o equilíbrio a partir da posição estática.
Dica de correção: Dê um leve toque no goleiro: ele deve conseguir balançar suavemente na posição. Quem apoia a sola inteira quase perde o equilíbrio.
Bolas rasteiras no corpo
Como deve ser:
- Posicionar-se o quanto possível atrás da bola – se houver tempo: passos laterais rápidos e curtos
- Ao mover-se para a direita: baixar o joelho esquerdo em direção ao solo (e vice-versa)
- Base de passos baixa
- Ir ao encontro da bola com os braços e mãos estendidos
- Mãos abertas, cotovelos próximos um do outro
- Segurar a bola com firmeza à frente do corpo
O erro mais comum: Cotovelos muito afastados – a bola passa no meio.
Dica de correção: Um exercício: peça para o goleiro segurar um papel entre os cotovelos na posição de encaixe. Se o papel cair, a técnica está errada.
Bolas a meia-altura no corpo
Como deve ser:
- Colocar todo o corpo atrás da bola
- Estender os braços e as mãos o máximo possível à frente
- Cotovelos bem próximos
- Primeiro contato com os braços, depois o tronco envolve a bola e as mãos seguram com firmeza
- Manter o relaxamento – mãos tensas fazem a bola rebater
O erro mais comum: Pernas excessivamente abertas – a bola passa facilmente entre as pernas.
Bolas altas no corpo
Como deve ser:
- Segurar a bola no ponto mais alto possível e à frente do corpo – com os braços estendidos
- Abrir as mãos, afastar os dedos; os polegares atrás da bola formam um triângulo (polegar-indicador)
- Amortecer levemente com as mãos no momento do contato com a bola
- Trazer a bola em direção ao peito e abraçá-la com segurança
O erro mais comum: O goleiro pega a bola ao lado em vez de à frente do corpo. Com isso, o controle fica muito menor.
Cruzamentos e saída do gol
Sair do gol no tempo certo e interceptar cruzamentos com segurança é uma das habilidades mais complexas de um goleiro. Combina posicionamento, antecipação, impulsão e tempo de bola.
Princípio básico: É melhor afastar um cruzamento com um soco forte do que arriscar sair do gol e furar a bola. Na categoria de base vale a regra: o treino de saída do gol só deve ser feito quando o goleiro já domina o encaixe com segurança.
Treinamento de goleiros sem treinador de goleiros: Como fazer
Aqui está a verdadeira solução para a maioria dos treinadores de clube – e ela é mais simples do que se pensa.
A ideia central: Conecte o treino dos jogadores de linha com a preparação dos goleiros.
Isso não é um quebra-galho. É uma alternativa metodológica real que beneficia ambos os lados:
- Os goleiros resolvem situações típicas de jogo em condições reais
- Os jogadores de linha continuam treinando aspectos técnico-táticos com intensidade
A chave está na organização correta. A regra básica é: Grupos pequenos, muitas ações, sem longos tempos de espera.
Por que grupos pequenos são decisivos
Em um grupo com 12 jogadores, cada atleta espera bastante tempo em uma fila de exercícios. O tempo ativo de treino cai drasticamente. Para o goleiro, isso significa: ele fica parado esperando em vez de treinar.
Solução: Grupos de no máximo 8 jogadores por estação de treino. Se houver mais jogadores: monte dois campos paralelos. Isso não custa nada – apenas um pouco de organização.
O princípio da integração entre goleiros e jogadores de linha
Cada exercício funciona segundo a mesma estrutura básica:
1. O jogador de linha toca a bola para o goleiro (diferentes alturas de bola, diferentes técnicas)
2. O goleiro encaixa, segura e devolve (diferentes técnicas de reposição com as mãos ou pés)
3. O jogador de linha finaliza com uma tarefa técnica (chute a gol, drible, combinação)
Assim, todos treinam – e ninguém fica esperando.
Treinamento de goleiros por faixa etária
As exigências no treinamento de goleiros mudam conforme a idade. Aqui estão as principais diretrizes:
Categorias sub-9 e sub-11 (sub-7 ao sub-9)
Os jogadores mais novos ainda não devem ser fixados na posição de goleiro. Nestas faixas etárias vale:
- Rodízio regular no gol – todos os jogadores devem conhecer a posição de goleiro
- Transmitir habilidades básicas em uma "escola da bola": encaixe, arremesso, reação
- Nenhum treino específico de goleiro – tudo no contexto dos exercícios normais
Por quê? Porque crianças nessa idade ainda estão desenvolvendo fundamentos motores. Fixar um garoto de 7 anos no gol prejudica o seu desenvolvimento geral.
Categorias sub-13 e sub-15 (sub-11 ao sub-14)
A partir do sub-13 é o momento certo para a especialização. A "melhor idade para aprender" no desenvolvimento motor começa aqui – as crianças aprendem sequências de movimentos técnicos de forma especialmente rápida agora.
- Treinar gradualmente todos os elementos do jogo de goleiro
- Apresentar a posição aos goleiros de forma divertida
- Iniciar o treino técnico individual – se possível, antes ou depois do treino da equipe
- Desenvolver técnicas básicas de forma sistemática: primeiro bolas rasteiras, depois meia-altura, depois altas
Categorias sub-17 e sub-19 (sub-16 ao sub-19)
Nesta faixa etária, as habilidades existentes são aperfeiçoadas.
- Refinar ainda mais todos os elementos
- Adicionar adversários aos exercícios – treinar situações de um contra um com mais frequência
- Treinar de forma mais intensa, mas: sempre com intervalos adequados
- Envolver os goleiros ativamente no processo de treino – eles devem trazer ideias e propor variações
- Trabalhar especificamente a resistência psicológica: como o goleiro reage após sofrer um gol?
A sessão de treino modelo: A equipe treina o goleiro
Aqui está uma sessão de treino completa (80 minutos) que combina o treino dos jogadores de linha com uma preparação específica de goleiros. O conceito vem diretamente do programa de desenvolvimento de talentos da DFB (Federação Alemã de Futebol).
Aquecimento (20 minutos)
Fase 1: Tarefas coordenativas individuais com bola
Organização: 3 campos de treino de 20×30 metros. Em cada campo, 8–10 jogadores de linha e 2 goleiros. Cada jogador com bola.
Tarefas (exemplos):
- Quicar a bola com uma mão: correndo para a frente, para trás, com deslocamento lateral, com saltitos, com mudanças de ritmo
- Quicar a bola alternando as mãos direita/esquerda (ajoelhado, agachado, em posição de flexão)
- Pelo caminho: exercícios ginásticos com bola
- Lançar a bola para o alto e pegá-la no ponto mais alto no ar – em corrida, com tarefas adicionais
Fase 2: Exercícios de passe para os goleiros
Organização: mesmos campos. Os dois goleiros atrás das linhas de fundo, jogadores de linha no campo, cada um com uma bola.
Tarefas dos jogadores de linha:
- Driblar pelo campo e, esporadicamente, tocar para um dos goleiros – o goleiro devolve de primeira ou no segundo toque
- Mesma sequência com passes a meia-altura
- Jogadores de linha quicam a bola e fazem o passe a meia-altura de meia-volta (dropkick) direto das mãos para os goleiros
Tarefas dos goleiros:
- Segurar a bola com as mãos e rolá-la de volta em direção à corrida do jogador
- Lançamentos com as mãos para os jogadores que se aproximam cabecearem
Importante: Bolas de reserva devem estar sempre prontas com os goleiros! Assim evitam-se interrupções no exercício em caso de passes imprecisos.
Parte principal – Treino por estações (45 minutos)
Três estações, 15 minutos cada, depois troca.
Estação 1: Ambidestria e feedback do goleiro
Organização: 2 gols de 5 metros com goleiros a uma distância de 35 metros. Grupo de no máximo 8 jogadores. Ao lado do Gol 2, um circuito de slalom.
Desenvolvimento:
- O jogador A avança driblando e chuta rasteiro com a parte interna do pé direito a partir de um cone em direção ao Goleiro 1
- O Goleiro 1 encaixa e rola a bola de volta no trajeto da corrida de A
- A conduz até o 2º cone e chuta com a esquerda no Gol 2 – objetivo: acertar onde o goleiro está (para defesa)
2ª rodada: Os jogadores começam pelo outro lado – passes e chutes ao gol invertidos
Variações: Drible/finta adicional antes da finalização / Tabela com pivô/apoio
Dica para o treino: Sempre priorizar o uso de ambas as pernas. Ajustar as distâncias de chute de forma flexível. Dar tempo suficiente para os goleiros se reconcentrarem após cada ação.
Estação 2: Construção de jogo com o goleiro
Organização: 1 gol oficial com goleiro – 2º goleiro na linha lateral da pequena área. 2 grupos do mesmo tamanho a cerca de 20 metros do gol.
Desenvolvimento:
- O jogador do Grupo A faz um lançamento elevado colocado para o Goleiro 1, que encaixa e rola curto para o Goleiro 2
- O Goleiro 2 domina a bola com o pé e faz um passe diagonal para o jogador B
- B conduz a bola recebida até a entrada da grande área e finaliza no gol oficial
Variações: Troca de funções no meio do tempo / Goleiro 2 deve jogar a bola lançada no máximo no 2º toque / Finta antes do chute a gol
Dica para o treino: Esta estação treina as habilidades do goleiro com os pés – especialmente importante por causa da regra do recuo.
Estação 3: Chute de meia-volta (dropkick) e ângulo fechado
Organização: 1 gol oficial e 1 gol de estacas com goleiros frente a frente. 2 grupos do mesmo tamanho à direita e à esquerda do gol de estacas. 2 cones demarcadores nos vértices da pequena área.
Desenvolvimento:
- O jogador A faz um passe a meia-altura de meia-volta (dropkick) e colocado para o Goleiro 1
- O Goleiro 1 encaixa e rola a bola com precisão na corrida de A
- A conduz até atrás do cone e chuta de ângulo fechado para o outro gol
Variações: Passes rasteiros / Chutes de voleio com o peito do pé direto das mãos / Arremesso lateral para o goleiro / Jogador conduz brevemente para dentro, muda de direção e então toca para o goleiro
Dica para o treino: Os goleiros determinam o próprio ritmo. Eles não devem se apressar de uma ação para a outra. A execução técnica correta tem prioridade sobre a velocidade.
Parte final – 5 contra 5 (15 minutos)
Três variações de jogo, dependendo do tempo disponível:
Forma de jogo 1 – 5 contra 5 em 2 gols com goleiros: Jogo clássico em campo reduzido. Montar as equipes preferencialmente a partir do treino por estações para evitar perda de tempo. Em tiro lateral: entrar driblando ou passando.
Forma de jogo 2 – 5 contra 5 em 2 gols com goleiros + 2 gols pequenos: A equipe A defende os 2 gols oficiais, a equipe B defende os 2 gols pequenos de estacas. Na metade do tempo: inverter a direção de jogo.
Forma de jogo 3 – 5 contra 5 para 2–3 gols pequenos cada: Ambas as equipes sem goleiro – os goleiros da parte principal entram em cada uma das equipes como jogadores de linha. Favorece a visão tática e o jogo com os pés dos goleiros.
Princípio importante: Nunca faça jogos finais com equipes muito grandes. Apenas times de no máximo 6 jogadores garantem ações e participação suficientes para cada atleta.
Catálogo de formas de treino: Aquecimento com goleiros
Aqui está uma visão geral compacta de 8 formas comprovadas de aquecimento que combinam o treino de goleiros e de jogadores de linha. Todas usam a mesma estrutura: espaço de cerca de 40×20 metros, 8–10 jogadores de linha, 2 goleiros, 2 bolas.
Forma de treino 1 – Passe básico:
Os goleiros rolam a bola para um jogador de linha livre. O jogador de linha domina e devolve o passe. Variação: devolução no máximo no 2º toque.
Forma de treino 2 – Bolas a meia-altura:
Como na forma 1, mas os jogadores de linha, após curto controle, devolvem bolas a meia-altura. Os goleiros encaixam e rolam para outro jogador.
Forma de treino 3 – Combinação antes da devolução:
Como na forma 1, mas o jogador de linha faz uma rápida tabela com um companheiro antes de devolver a bola ao goleiro (passe e devolução).
Forma de treino 4 – Voleio com a parte interna do pé:
Os goleiros lançam a bola a meia-altura com as mãos. Os jogadores de linha devolvem de primeira com a parte interna do pé (de chapa) direto nas mãos do goleiro.
Forma de treino 5 – Tarefas adicionais:
Como na forma 1, mas após cada devolução o jogador de linha deve cumprir uma tarefa adicional (arranque curto com mudança de direção, salto com joelhos no peito, etc.).
Forma de treino 6 – Cruzamento de trajetórias:
Os goleiros só rolam a bola quando 2 jogadores trocarem de posição em alta velocidade. Estimula a desmarcação e a antecipação.
Forma de treino 7 – Ponte / Salto lateral:
Os jogadores de linha passam a bola lateralmente ao goleiro – longe o bastante para que ele precise saltar/cair para defender. Variação: 1 contra 1 em direção aos goleiros.
Forma de treino 8 – Estação intermediária:
O passe de volta para o goleiro deve passar sempre por um jogador intermediário. Desenvolve o jogo combinativo e a visão de jogo dos atletas de linha.
Exercícios complexos para iniciantes e avançados
Para iniciantes (3 formas)
Exercício complexo 1 – Forma básica:
Estrutura: 2 gols com goleiros, 30 metros de distância. Grupo A com bola na frente do Gol 1, Grupo B ao lado do Gol 2.
Desenvolvimento: O jogador A faz um passe a meia-altura com o peito do pé para o Goleiro 1. O goleiro encaixa e lança com as mãos para B, que entra em velocidade. B ajeita para A – A chuta no 2º toque em direção ao Gol 2. Em seguida, troca de grupos.
Variações: Lançamentos elevados no Gol 1 / chute direto no Gol 2 / 1 contra 1 entre atacante e goleiro no Gol 2
Exercício complexo 2 – Arranque de reação:
Estrutura: 1 gol oficial (Gol 2) + 1 gol de cones (Gol 1) a 30 metros de distância. Slalom na lateral.
Desenvolvimento: A faz o passe com o peito do pé para o goleiro. O goleiro encaixa e rola a bola lateralmente passando por A em direção ao Gol 2. A gira rapidamente, corre atrás da bola e finaliza de primeira. No caminho de volta: realiza o slalom.
Variações: Conduzir a bola rapidamente antes de chutar / Outras tarefas no caminho de volta
Exercício complexo 3 – Lançamento seguido de chute:
Estrutura: 1 gol com goleiro. Grupo 1 ao lado do gol, Grupo 2 a cerca de 25 metros centralizado à frente.
Desenvolvimento: O jogador A, posicionado à frente do gol, faz um passe de meia-volta (dropkick) para o goleiro. O goleiro encaixa e lança a bola pelo alto para o jogador B. B domina, conduz até a linha da grande área e finaliza colocado. Depois, trocam de posição.
Para avançados (3 formas)
Exercício complexo 1 – Tabela para a finalização:
Estrutura: 2 gols com goleiros, 25 metros lado a lado. Grupo A na frente do Gol 1, Grupo B posicionado mais atrás em frente ao Gol 2.
Desenvolvimento: A toca para o Goleiro 1 (chute de meia-volta/voleio). O goleiro defende e lança para B. A se oferece como apoio (parede). B finaliza com precisão no Gol 2 após a tabela e um breve drible.
Exercício complexo 2 – Cruzamento e finalização:
Estrutura: 1 gol oficial (Gol 2) + gol de cones (Gol 1) a 30 metros de distância. Metade dos jogadores na frente do Gol 1, a outra metade na lateral junto à linha.
Desenvolvimento: A toca para o Goleiro 1. O goleiro passa para B. B domina, conduz até a linha de fundo e cruza. A finaliza o cruzamento.
Exercício complexo 3 – 3 contra 2 com contra-ataque:
Estrutura: 2 equipes, divididas em duplas (defensores) e trios (atacantes). Passadores neutros nos vértices da grande área. 2 gols pequenos de contra-ataque a cerca de 25 metros do gol principal.
Desenvolvimento: As ações começam com um 3 contra 2 em direção ao gol principal. Após um gol: 2 cruzamentos adicionais para os atacantes. Em caso de recuperação da bola pelo goleiro/defensores: contra-ataque rápido em direção aos gols pequenos.
Erros frequentes e como corrigi-los
Aqui estão os erros técnicos mais frequentes em goleiros das categorias de base – e as melhores dicas de correção para treinadores que não contam com um preparador de goleiros.
| Situação | Erro frequente | Dica de correção |
|---|---|---|
| Postura base | Apoio de toda a sola do pé no chão → falta de mobilidade | O goleiro deve conseguir dar leves balanços/saltitamentos na posição |
| Bolas rasteiras | Cotovelos muito afastados → a bola passa no meio | Prender um papel entre os cotovelos |
| Bolas a meia-altura | Pernas excessivamente abertas → a bola passa entre as pernas | Treinar com os pés em base de passo |
| Bolas altas | Segurar a bola ao lado em vez de à frente do corpo | Repetir sempre: "Pense em segurar a bola na altura da testa!" |
| Postura base | Corpo rígido, sem tônus/tensão | Exercícios de ativação antes do treino |
| Ponte / Salto | Sem uso do corpo, apenas com as mãos | Treinar primeiro exercícios de queda e amortecimento |
| Recuo de bola | Uso rígido dos pés, falta de sensibilidade | Treinar regularmente o jogo de passes com os pés |
Organizando o treinamento de goleiros: Comparativo de 4 caminhos
Existem diferentes caminhos para integrar o treinamento de goleiros. Cada um tem seus pontos fortes.
Treino individual
O que é: Treinamento específico dos fundamentos técnico-táticos e físico-coordenativos – idealmente com um treinador especialista em goleiros.
Quando: Antes ou depois do treino com a equipe.
Pontos fortes: Máxima intensidade e precisão no aperfeiçoamento técnico. Feedback direto.
Desafio: Exigência de tempo. Geralmente viável apenas em clubes maiores ou nas categorias mais avançadas.
Treino em grupo no clube
O que é: Todos os goleiros do clube treinam juntos – sob a orientação de um treinador especialista de goleiros.
Por que é valioso: Os goleiros mais jovens aprendem com os mais velhos e experientes. É mais motivador do que o treino individual.
Dica: Converse com um ex-goleiro engajado da comunidade do clube. Para muitos, esse trabalho voluntário é extremamente gratificante.
Exercícios integrados (goleiro + linha)
O que é: A combinação do treino de jogadores de linha com a preparação de goleiros – o elemento central deste guia.
Pontos fortes: Ganho de tempo (sem necessidade de horários extras) / alta atratividade para todos / exigências realistas de jogo
Requisitos: Boa organização, tarefas claras, grupos pequenos.
Integração em formas de jogo específicas
O que é: Incluir os goleiros em jogos reduzidos/formas de jogo que enfatizam aspectos específicos do goleiro através de regras especiais.
Exemplos: Um gol só vale se o goleiro iniciar a jogada com os pés / Cruzamentos contam pontos / O goleiro só pode afastar de soco, sem encaixar
Pontos fortes: Dinâmico, motivador, variado. Permite focar em objetivos específicos.
Planejamento de treino para goleiros de forma simples
No dia a dia dos clubes, o treinamento de goleiros raramente falha por falta de conhecimento – falha por falta de sistema.
O treinador tem duas sessões de treino por semana. Precisa encaixar aquecimento, técnica, tática, finalizações e jogo reduzido. E ainda integrar o goleiro de forma eficiente? O fim de semana não é suficiente para planejar tudo isso.
Três princípios básicos para um treinamento de goleiros estruturado:
1. O treino de goleiros pertence a todas as sessões. Não como um anexo – mas como parte integrante. Cada fase (aquecimento, parte principal, jogo final) pode conter um componente para os goleiros.
2. A técnica tem prioridade. Tática, preparo físico, aspecto psicológico – tudo é importante. Mas se a técnica básica não estiver correta, o melhor posicionamento não adianta.
3. O goleiro determina o ritmo. Especialmente em exercícios complexos: os goleiros não podem se apressar de uma ação para outra. Entre duas ações, eles precisam de um momento para se reconcentrar. Isso não é perda de tempo – é metodologia.
Treinamento de goleiros e planejamento de treino moderno
Quem trabalha como treinador em um clube conhece o problema: as variações de exercícios contidas em guias como este são valiosas – mas precisam ser integradas ao seu próprio planejamento de treino.
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Conclusão
O treinamento de goleiros no futebol de clube não é um problema sem solução. A resposta não está em adicionar mais um horário extra na semana – está na integração inteligente da preparação de goleiros ao treino existente da equipe.
Resumindo os pontos mais importantes:
- A técnica vem em primeiro lugar. Sem dominar perfeitamente os fundamentos técnicos, todo o resto ajuda pouco.
- Grupos pequenos, muitas ações. Filas longas destroem qualquer efeito do treino.
- Atuar conforme a faixa etária. Rodízio nas categorias sub-9/sub-11, especialização nas categorias sub-13/sub-15, aperfeiçoamento nas categorias sub-17/sub-19.
- Integração entre linha e goleiro. O método mais eficiente para treinadores sem um preparador de goleiros.
- A regularidade supera a intensidade. É melhor incluir um breve componente para goleiros em cada treino do que fazer um treino intensivo uma vez por mês.
Um bom goleiro pode decidir jogos sozinho. Cabe ao treinador dar a ele a oportunidade de se tornar um.