O que muda no treino em ginásio
A bola é mais rápida. No piso de madeira ou sintético, a bola rola mais e quica de forma diferente do que no gramado molhado. Cada dominada precisa amortecer a bola, senão você a perde. É exatamente por isso que o ginásio é a melhor escola de técnica do ano.
As paredes jogam junto. A bola raramente sai. Isso mantém o ritmo elevado e cria situações que não existem no campo.
O espaço é reduzido. Menos área significa mais ações por minuto e menos tempo para tomada de decisão. A velocidade de ação se desenvolve naturalmente aqui.
É barulhento. Em um ginásio com vinte crianças, a sua voz mal chega até elas. Quem tenta orientar no inverno aos gritos, perde. As regras do exercício devem fazer o trabalho. O motivo pelo qual essa é a melhor forma de condução está no artigo sobre por que instruções em excesso geram jogadores dependentes.
O que vale a pena no ginásio e o que não vale
Vale a pena: Domínio e recepção de bola, drible em espaço reduzido, passe firme, velocidade de ação, finalização em giro, coordenação.
Não vale a pena: Bolas longas, cruzamentos, inversão de jogo em largura, corridas de resistência. Falta espaço para tudo isso, e a transferência para o campo é baixa.
Cuidado com: Saltos e mudanças bruscas de direção em piso duro. O solo perdoa menos que o gramado, aumentando a carga nos tornozelos e joelhos. Um aquecimento bem-feito é mais importante no ginásio do que ao ar livre, e não menos. Veja mais na prevenção de lesões.
Oito exercícios para o ginásio
Exercício 1: Condução de bola no caos
Organização
Um terço do ginásio, cada jogador com uma bola. Além disso, de cinco a oito cones distribuídos de forma irregular.
Execução
Todos driblam ao mesmo tempo pelo espaço, sem tocar nos colegas ou nos cones. Ao sinal: pé sobre a bola, mudança de direção, uso da sola.
Ponto de orientação
Olhar erguido. Quem olhar para a bola esbarra nos outros — e percebe isso imediatamente.
Variação
O espaço diminui a cada 60 segundos. Dois jogadores sem bola tentam roubar as bolas.
Categoria
Do sub-7 ao sub-19, apenas o tamanho do espaço muda.
Exercício 2: Passe usando a parede
Organização
Dois jogadores por bola, de lado para a parede do ginásio, a cerca de oito metros de distância um do outro.
Execução
O passe não vai direto, mas sim rebatendo na parede para o companheiro. Após dez repetições, troca-se o pé do passe.
Ponto de orientação
O ângulo é o que decide, não a força. Quem toca muito forte recebe a bola descontrolada de volta.
Variação
O companheiro grita "direto" ou "domina" antes do passe. Isso exige uma tomada de decisão.
Categoria
A partir do sub-11. Os fundamentos do passe estão nos exercícios de passe no futebol.
Exercício 3: Três contra três em quatro mini traves
Organização
Um terço do ginásio, quatro mini traves nos quatro lados. Duas equipes de três jogadores, paredes jogam junto.
Execução
Cada equipe ataca duas traves e defende duas. Gols após passe na parede valem o dobro.
Ponto de orientação
Cabeça erguida após a dominada. Quem não vê a segunda trave joga sempre para a mesma.
Variação
Limite de toques a três e, posteriormente, dois toques.
Categoria
Do sub-9 aos adultos. A sistemática por trás disso está em jogos reduzidos no futebol.
Exercício 4: Finalização em giro
Organização
Uma trave com goleiro, um passador na lateral, um atacante de costas para o gol, a cerca de dez metros da trave.
Execução
O passador toca no pé do atacante, que gira e finaliza. Troca de funções após cada finalização.
Ponto de orientação
Olhar por cima do ombro antes de receber o passe. A direção do giro é decidida antes, não durante o domínio.
Variação
Um defensor passivo nas costas pressionando um dos lados. O atacante deve girar para o lado livre.
Categoria
A partir do sub-13. Sobre a técnica em si: treino de finalização.
Exercício 5: Pega-pega nas linhas com bola
Organização
As linhas existentes no ginásio, cada jogador com bola, dois pegadores sem bola.
Execução
O drible só é permitido sobre as linhas. Quem for pego ou sair da linha vira pegador.
Ponto de orientação
Condução curta com a sola do pé. Em cima da linha não há espaço para passos largos.
Variação
Apenas uma cor de linha é permitida. Isso reduz o espaço sem precisar de material extra.
Categoria
Do sub-7 ao sub-13, ideal como aquecimento.
Exercício 6: Rondo a dois toques
Organização
Um quadrado de sete metros no canto do ginásio, duas paredes jogam junto. Quatro por fora, dois por dentro.
Execução
Manutenção da posse com no máximo dois toques. Um passe usando a parede vale um ponto extra.
Ponto de orientação
O primeiro toque deve fugir da pressão. No canto, a parede é ajuda e armadilha ao mesmo tempo.
Variação
Os jogadores de dentro só podem se mover em uma metade do espaço.
Categoria
A partir do sub-11. Detalhes no artigo rondo no aquecimento.
Exercício 7: Torneio em dois campos
Organização
Dois campos lado a lado, três a quatro equipes de três jogadores cada.
Execução
Quatro minutos de jogo, depois disso o vencedor sobe para o campo superior e o perdedor desce. As equipes não mudam seus integrantes.
Ponto de orientação
Você não orienta durante o jogo, mas sim nos quarenta segundos entre as rodadas. Uma dica por equipe.
Variação
Uma nova regra a cada rodada: apenas finalização de primeira ou gols somente após passe na parede.
Categoria
A partir do sub-9. Pode preencher uma sessão inteira quando o ginásio estiver cheio.
Exercício 8: Coordenação na parede
Organização
Parede livre, uma bola por jogador, distância de dois metros da parede.
Execução
Tocar a bola contra a parede e dominar com a parte do corpo determinada: parte interna do pé, sola, coxa, peito. O treinador define a sequência.
Ponto de orientação
A bola deve ficar parada após a recepção. A quantidade não importa, mas sim o controle e a estabilidade da bola.
Variação
Duas bolas alternadas ou recepção apenas com a perna não dominante.
Categoria
A partir do sub-9. A sistemática detalhada está no artigo sobre treino de coordenação.
Treino no ginásio por categoria de base
Sub-7 e sub-9. Aqui, o ginásio é principalmente um espaço de movimento. Muita condução de bola, brincadeiras de pega-pega, pequenas competições. Exercícios 1, 5 e 3. Sem exercícios em filas, sem filas de espera. Como montar uma sessão nessa faixa etária está no guia para sub-7.
Sub-11. A fase de ouro do aprendizado encontra o melhor piso para técnica do ano. É exatamente agora que valem a pena o domínio e recepção, a condução curta e as primeiras formas de passe com a parede. Exercícios 1, 2, 6 e 8. Mais sobre esta categoria no artigo sobre treino para sub-11.
Sub-13 e sub-15. A velocidade de ação vira o foco principal. Limite de toques, finalização em giro, formatos de torneio. Exercícios 3, 4, 6 e 7.
A partir do sub-17 e adultos. O ginásio é um complemento, não um substituto. Um bloco de técnica e, em seguida, jogos reduzidos de alta intensidade. O trabalho físico nesta época do ano deve ser feito na academia e não na quadra.
Uma sessão de treino de 60 minutos
- 0 a 10 minutos — Chegada. Exercício 1, condução de bola no caos. Começa assim que a primeira criança chega, sem esperar pelo grupo todo.
- 10 a 20 minutos — Aquecimento com bola. Exercício 5, pega-pega nas linhas. Frequência cardíaca alta, bola no pé, articulações na temperatura ideal de trabalho.
- 20 a 35 minutos — Bloco técnico. Exercício 2 ou 8, dependendo da categoria. Explicação curta, muitas repetições, várias estações em paralelo.
- 35 a 55 minutos — Jogo reduzido. Exercício 3 ou 7. Aqui fica a maior parte do tempo, pois é onde o aprendizado acontece.
- 55 a 60 minutos — Encerramento. Jogo livre ou uma competição escolhida pelas crianças.
Esta divisão vale para um ginásio inteiro com uma equipe. Se você dividir o ginásio com outro time, elimine o bloco técnico e aumente o tempo do jogo reduzido.
Erros frequentes
Treino de campo em um espaço menor.
Cruzamentos, bolas longas e inversões não funcionam no ginásio e não desenvolvem nada que ajude no campo.
Resistência em piso duro.
Correr voltas no ginásio é a pior forma de aproveitar essas semanas: alta sobrecarga, sem bola, sem transferência para o jogo.
Falar demais.
Em um ginásio barulhento, quase nada é ouvido. Regras e dimensões de campo orientam melhor do que gritos.
Sem aquecimento adequado.
O piso perdoa menos que o gramado. Dez minutos são o mínimo, não uma margem opcional.
O mesmo torneio sempre.
Quatro minutos de jogo, sobe e desce de divisão, tudo igual toda semana — após a terceira vez, ninguém mais aprende nada. Mudar uma regra por semana é suficiente.
Treino no ginásio no Coach OS
Nas configurações da equipe, você define o espaço e o equipamento disponíveis. Se no inverno o ginásio estiver selecionado em vez do campo, as sugestões mudam: dimensões de campo mais reduzidas, exercícios sem bolas longas e atividades adaptadas ao material disponível.
O banco de dados inclui mais de 1.244 exercicios animados, filtráveis por categoria, idade, número de jogadores, equipamentos e objetivo. Você pode desenhar seus próprios exercícios no Sketch e salvá-los para o próximo inverno. Cada sessão pode ser exportada em PDF para o auxiliar técnico ou impressa para uso no treino.
O Coach OS sugere. O treinador decide. Sempre.
Conclusão
- O ginásio não é um campo menor. Bola mais rápida, paredes que jogam junto, espaço reduzido — é um jogo próprio.
- Técnica, domínio e recepção de bola e velocidade de ação pertencem ao inverno. Resistência e cruzamentos, não.
- O piso duro exige um aquecimento mais longo, não mais curto.
- No ginásio barulhento, regras e dimensões de campo orientam melhor do que gritos.
- Quatro a cinco bons exercícios sustentam todo o inverno se você mudar uma regra por semana.