Enquadramento: O fim da idade de ouro da aprendizagem
A idade de ouro da aprendizagem estende-se sensivelmente dos 10 aos 12 anos. Nos sub-13, esta fase chega ao fim. O que um jogador assimilou a nível motor até este ponto fica consolidado. O que não aprendeu vai custar-lhe muito mais trabalho no futuro.
O corpo ainda se encontra em equilíbrio: braços e pernas mantêm boas proporções, a coordenação está no seu expoente máximo e o pico de crescimento ainda está por chegar. Os movimentos são assimilados após poucas repetições. É por esta razão que o trabalho técnico neste escalão rende mais do que em qualquer outro.
Em simultâneo, a mente começa a ler o jogo. As crianças nesta idade conseguem compreender, pela primeira vez, o motivo pelo qual uma posição deve ser ocupada, e não apenas o facto de terem de a ocupar.
Características de desenvolvimento dos sub-12/sub-13
- Capacidade motora no auge. Novos movimentos são assimilados com grande rapidez. A coordenação fina, a condução de bola e a técnica de remate são mais fáceis de treinar do que alguma vez voltarão a ser.
- Abertura do fosso maturacional. Alguns jogadores começam o pico de crescimento enquanto outros ainda não. A diferença entre um jovem de doze anos com maturação precoce e outro de maturação tardia pode equivaler a dois anos de desenvolvimento. O efeito da idade relativa atinge aqui a sua expressão máxima.
- Aumento da capacidade de concentração. 15 a 20 minutos focados num único tema são perfeitamente possíveis; mais do que isso raramente funciona.
- Compreensão das regras. As regras de provocação em formas jogadas são bem compreendidas e integradas.
- Dinâmica de grupo. Amizades, papéis e hierarquias ganham peso. Quem não joga nesta fase acaba frequentemente por abandonar a modalidade.
Objetivos: Consolidar a técnica, introduzir a tática
O foco primordial continua a ser individual. A progressão lógica é:
1. Técnica sob pressão. Não apenas com correção gestual, mas com rapidez, oposição e sob limitação de tempo.
2. Velocidade de ação. Percecionar, decidir, executar — esta sequência passa a ser o verdadeiro objetivo de treino.
3. Tática de grupo. Dois a três jogadores em cooperação: linhas de passe, desmarcações, tabelas e coberturas ofensivas.
4. Primeiras noções de tática coletiva. Basculação defensiva em função da bola, largura no momento ofensivo e bloco compacto na perda da bola. Nada mais do que isto.
O que não pertence aos sub-13: posições fixas ao longo de toda a época, bolas paradas ensaiadas com esquemas complexos e treino físico isolado sem bola.
O salto para o 9 contra 9
Consoante a associação ou federação regional, os sub-13 jogam em futebol de 7 ou futebol de 9. A transição para 9 contra 9 representa o maior salto estrutural de toda a formação: mais intervenientes, mais espaço, deslocamentos mais longos e, pela primeira vez, distâncias reais entre setores.
Três princípios que facilitam esta adaptação:
- Treinar em espaços menores do que os do jogo formal. Quem compete em 9 contra 9 treina em 4 contra 4 e 5 contra 5. O número de contactos com a bola por jogador é incomparavelmente maior.
- O desenho tático como referência, não como imposição rígida. Um 1-3-2-3 ou um 1-3-3-2 serve para orientar os jogadores em campo. Não se trata de um sistema tático fixo, funciona apenas como um mapa de navegação.
- Rotatividade posicional. Precisamente porque as posições ganham contornos mais definidos, um plano de rotação posicional é indispensável nesta fase. Entre os sub-10 e os sub-13 existem, em termos práticos, cerca de 24 semanas para experimentar cada função em campo.
Conteúdos: O que treinar concretamente
Drible e 1 contra 1. Continua a ser o conteúdo individual mais determinante. No processo ofensivo e no defensivo, com finalização, a partir de diferentes ângulos e posicionamentos. Mais pormenores no guia prático sobre o 1 contra 1.
Passe e receção orientada sob pressão do adversário. Nada de circuitos de passe sem oposição. Os meínhos e os jogos de posição em superioridade numérica cumprem esse propósito com muito maior eficácia.
Finalização à baliza. Em jogo corrido, após drible, na sequência de cruzamento ou passe atrasado. Cada sessão de treino deve contemplar remates à baliza.
Jogo de cabeça e desarme. Introduzir com critério e progressão pedagógica, exigindo rigor técnico e evitando agressividade despropositada.
Coordenação motora com bola. Em vez de escadas de agilidade convencionais: formas jogadas com constantes mudanças de direção, espaços reduzidos e estímulos visuais adicionais.
Metodologia e organização
- Formas jogadas com prioridade sobre exercícios fechados. Por norma, dois terços do tempo da sessão devem ser dedicados a exercícios com oposição e sentido de baliza.
- Blocos curtos de trabalho. Quatro a seis minutos de intensidade máxima seguidos de uma paragem breve com uma instrução-chave. Nunca vinte minutos seguidos sem interrupções.
- Grupos pequenos. Dois campos com seis jogadores garantem muito mais rendimento do que um único campo com doze.
- Regras de provocação em vez de discursos longos. "O golo vale a dobrar se a jogada tiver variação de centro de jogo" provoca a mudança comportamental de forma muito mais eficaz do que qualquer explicação teórica.
Para aprenderes a planear um treino de forma consistente, lê o nosso guia de estruturação de uma sessão de treino.
Coaching: Perguntas em vez de instruções fechadas
Nos sub-13 as crianças entram no patamar em que conseguem processar verdadeiramente orientações verbais. É precisamente por essa razão que o risco de falar em excesso se torna tão elevado.
As três diretrizes que trazem resultados:
- Não interrompas o jogo se o atleta estiver totalmente focado na ação.
- Faz a intervenção pedagógica após a jogada, nunca enquanto ela decorre.
- Questiona em vez de dares a resposta imediata. "Que outra solução tinhas ali?" funciona muito melhor do que "passa para o corredor lateral".
Nesta idade, o erro não constitui um problema operacional, mas sim a essência do processo formativo. Lê mais no artigo sobre o risco de dar demasiadas instruções no treino.
Competição e relação com os encarregados de educação
No futebol infantil deixaram de existir classificações competitivas. Nos sub-13 o formato competitivo formal regressa — e, com ele, a pressão externa pelos resultados no marcador.
Três aspetos que deves definir desde cedo:
- Distribuição do tempo de jogo. Esclarece no arranque da época como pretendes gerir a rotação de minutos e mantém a tua palavra. Descobre estratégias no guia sobre a distribuição justa dos minutos de jogo.
- Ocupação de posições. Explica aos encarregados de educação por que motivo o filho não vai jogar sempre a ponta de lança.
- Enquadramento dos resultados. Uma derrota por 2-6 contra uma equipa fisicamente mais madura tem pouco significado técnico neste escalão. Analisa este ponto no artigo sobre a pressão dos pais em torno dos resultados.
Exemplo de treino (90 minutos): Velocidade de ação
Ativação (15 min.) — Jogo de perseguição com bola delimitado a dois espaços; em seguida, meínho 5 contra 2 com limite de dois toques.
Bloco técnico (20 min.) — 1 contra 1 repartido por quatro estações com finalização rápida. Posicionamentos iniciais alternados, com cada repetição a durar menos de dez segundos.
Parte fundamental (30 min.) — 4 contra 4 mais dois jogadores neutros com quatro balizas pequenas. Condicionamento: o golo vale a dobrar após um passe de rutura que ultrapasse a linha defensiva adversária. Seis séries de quatro minutos.
Jogo formal (20 min.) — 7 contra 7 com duas balizas regulamentares, jogo livre, reservando apenas uma intervenção corretiva no intervalo.
Retorno à calma (5 min.) — Três atletas descrevem uma jogada do treino na qual tomaram uma decisão tática consciente.
Perguntas frequentes sobre os sub-13
Conclusão
- Os sub-13 fecham a idade de ouro da aprendizagem. A bagagem técnica adquirida aqui fica para a vida.
- O salto para o 9 contra 9 prepara-se com jogos em campos reduzidos no treino, e não com treinos táticos posicionais exaustivos.
- Sim ao trabalho tático de grupo, sim a noções elementares de bloco de equipa, não à fixação em posições únicas.
- O efeito da idade relativa atinge aqui a sua maior intensidade. Escolher com base no físico significa descartar os jogadores errados.
- Dois terços da sessão de treino devem decorrer em formas jogadas com oposição e balizas definidas.
O Coach OS combina mais de 1.244 exercicios para gerar a sessão de treino mais adequada para sub-12/sub-13 — à medida da idade, do número de atletas e do tema tático. O Coach OS propõe. O treinador decide. Sempre em coach-os.com.