Quem foi Laureano Ruiz — e por que razão o seu nome está quase esquecido
Laureano Ruiz Quevedo, nascido em 1937 em Escobedo de Villafufre, na Cantábria, assumiu em 1972 a responsabilidade pelo futebol de formação do FC Barcelona. Permaneceu seis anos no cargo — e durante esse período mudou o ADN do clube.
Três das suas decisões continuam a ter impacto até hoje:
Acabou com os critérios de altura. Antes de Ruiz, no Barça acontecia o mesmo que em todo o lado: quem era baixo, era dispensado. Ruiz inverteu o critério — procuravam-se jogadores tecnicamente brilhantes e inteligentes no jogo, independentemente da estatura. Sem esta decisão, décadas mais tarde não teria havido lugar para jogadores como Xavi, Iniesta ou Messi.
Consolidou uma metodologia contínua. Ruiz fez questão de que todas as equipas da formação treinassem e jogassem de acordo com os mesmos princípios — para que um jogador, ao subir para o escalão seguinte, não tivesse de reaprender tudo. O que hoje qualquer clube apelida de «filosofia de treino unificada» era revolucionário nos anos 70. Como os clubes implementam isso hoje: Filosofia de treino unificada no clube.
Fez do rondo a base. O jogo em círculo com superioridade numérica já existia antes — mas Ruiz transformou-o numa ferramenta sistemática de formação. O seu lema, transmitido na essência: pés rápidos são bons — olhos rápidos e uma cabeça rápida são melhores. Quem domina isto no espaço reduzido, domina-o mais tarde no espaço grande.
O facto de Cruyff e Guardiola serem vistos hoje como os pais do estilo do Barça não é incorreto — eles transformaram a ideia num sistema global. Mas os alicerces sobre os quais construíram tinham sido lançados por Ruiz. Em 2013, apresentou o seu livro sobre o método autêntico do Barça em Camp Nou — o reconhecimento tardio de um homem que formulou a ideia formativa mais importante do futebol moderno: as crianças aprendem futebol ao aprenderem a ler o espaço.
O que significa realmente jogo de posição
O «jogo de posição» (em espanhol: juego de posición) é muitas vezes mal compreendido — como sinónimo de futebol de posse de bola ou como uma questão de esquema tático. Ambas as ideias são redutoras.
O jogo de posição é um princípio organizativo: o campo é mentalmente dividido em zonas e os jogadores ocupam os espaços de modo a que quem tem a bola tenha sempre várias linhas de passe a diferentes alturas e ângulos. As ideias-chave:
Criar superioridade numérica junto à bola. Onde a bola está, quero ter mais um jogador do que o adversário — para haver sempre uma solução livre. Como criar e tirar partido da superioridade numérica: Criar e aproveitar a superioridade numérica.
Manter a largura e a profundidade. Os espaços não surgem por acaso — são abertos pelo posicionamento dos colegas de equipa. Quem se junta demasiado perto, está a ajudar o adversário a defender.
Jogar entre linhas. Os espaços mais valiosos encontram-se entre as linhas adversárias. Quem é opção de passe nesses espaços, quebra a organização contrária.
Variar o centro de jogo para progredir. A circulação de bola não é um fim em si mesma — atrai o adversário para um lado para atacar o espaço livre no outro.
Crucial para o futebol de formação: o jogo de posição não é um sistema tático que se «ensina» às crianças. É uma forma de ler o jogo — ver espaços, ocupar espaços, jogar nos espaços. E é precisamente por isso que não começa no quadro tático, mas sim em formas jogadas reduzidas.
Por que razão as crianças devem aprender o espaço antes da tática
A objeção clássica é: o jogo de posição não é demasiado complexo para as crianças? A resposta: o sistema é complexo. Os seus blocos de construção não são.
Uma criança não precisa de perceber um 4-3-3 para aprender:
- Afasto-me do adversário em vez de correr para a bola.
- Posiciono-me de modo a ver a bola e o campo.
- Quando o meu colega de equipa tem a bola, dou-lhe duas opções de passe.
- Não resolvo o espaço reduzido com força, mas sim com o primeiro toque para o espaço livre.
Isto não são instruções táticas — são hábitos de perceção e de tomada de decisão. E para eles existe uma janela ideal de aprendizagem: a idade de ouro motora entre os 9 e os 12 anos, em que as crianças assimilam padrões de movimento e de perceção mais depressa do que em qualquer outra fase da vida. Sabe mais: A idade de ouro da aprendizagem.
A perceção central de Ruiz foi precisamente esta ordem: primeiro a perceção, depois a técnica como ferramenta da perceção e só depois — muito mais tarde — a estrutura tática. Uma criança que aos dez anos aprendeu a olhar em redor antes de receber a bola e a dar o primeiro toque para o espaço aberto, aprenderá qualquer sistema aos quinze anos. No sentido inverso, não funciona.
A investigação moderna dá razão ao antigo treinador: estudos sobre scanning mostram que a perceção antes da receção de bola tem uma correlação mensurável com a qualidade do passe — e que é treinável: quanto mais cedo, melhor. Para aprofundar: Scanning e orientação no futebol.
O rondo: o exercício mais subestimado do mundo
Visto de fora, um rondo parece apenas diversão: uma roda de jogadores a manter a posse, um ou dois no meio a tentar intercetar a bola. O clássico meinho. Quem pensa assim, não repara no que está contido no exercício.
Um rondo bem orientado treina simultaneamente:
| Componente | O que acontece no rondo |
|---|---|
| Primeiro toque | Cada receção tem de preparar o passe seguinte — sob pressão, no espaço reduzido |
| Qualidade de passe | Tenso, rasteiro, no pé certo — caso contrário, perde-se a superioridade numérica |
| Posicionamento corporal | Perfilado, a ver ambas as opções — quem se posiciona mal, fica bloqueado |
| Scanning | Antes da receção, olhar por cima do ombro — onde está o homem que pressiona, onde está o homem livre? |
| Velocidade de decisão | Um, dois toques, sem tempo para hesitações — decidir torna-se um hábito |
| Pressão | Quem pressiona aprende simultaneamente: ângulos de aproximação, fechar linhas de passe |
Esta é a razão pela qual Ruiz colocou o rondo no centro de tudo e pela qual, no Barça, ele ainda abre todos os treinos: comprime a gramática básica do jogo de posição em poucos metros quadrados. Aproveitar a superioridade numérica, abrir espaço, manter a lucidez sob pressão — na roda está o jogo inteiro.
Importantes são os pormenores que transformam a diversão em treino:
- O tamanho do campo controla a curva de aprendizagem. Demasiado grande: sem pressão real. Demasiado pequeno: apenas frustração. Regra prática para começar: tão apertado que a execução seja feita no limite do acerto.
- Manter as regras de troca claras. Quem falha o passe, vai para o meio — de imediato, sem discussões. O ritmo dita a intensidade.
- Dosear o limite de toques. Dois toques para os mais avançados, toques livres para iniciantes, um toque no nível de topo — a regra é o teu regulador de dificuldade.
- Exigir qualidade. Um rondo em que a bola anda aos saltos e ninguém corrige nada apenas treina a falta de rigor.
A metodologia: do espaço reduzido ao jogo grande
A frase que resume a metodologia de Ruiz pode traduzir-se assim: domina o jogo no espaço reduzido — o exercício cresce à medida que os jogadores crescem — e dominarás o jogo no espaço grande.
Disto resulta uma escada metodológica clara:
Nível 1 — Rondos (superioridade numérica em círculo): 4 contra 1, 5 contra 2, 6 contra 2. Forma básica estática, foco no primeiro toque, qualidade de passe e perfilhamento corporal.
Nível 2 — Rondos posicionais: A roda ganha estrutura. No quadrado de 4 contra 2 com posições fixas nos lados surgem os primeiros papéis posicionais: quem está por fora mantém a largura; quem recebe a bola procura o terceiro homem. O famoso jogo pelo terceiro homem começa aqui. Para aprofundar: Padrões de combinação e linguagens de jogo.
Nível 3 — Jogos de posição (juegos de posición): Agora com sentido de jogo e zonas: 4 contra 4 mais 3 jogadores neutros, 6 contra 6 mais 2, campos com zona central. Há zonas de construção e zonas-alvo, a superioridade numérica é criada através dos neutros, e a questão central de cada ação é: reter, variar ou progredir?
Nível 4 — Formas jogadas com balizas: Os princípios passam para o jogo real: jogos em campo reduzido com zonas de construção, regras de provocação («golo vale a dobrar após variação de flanco»), formas jogadas com superioridade numérica. Aqui, o jogo de posição junta-se à finalização e à transição. Fundamentos: Formas jogadas e jogos em campo reduzido.
Nível 5 — O jogo grande: 9 contra 9 ou 11 contra 11 com marcações de zonas, onde se aplicam os mesmos princípios — apenas numa escala maior. A escada fecha-se: o que começou na roda de 5 contra 2 é agora a construção de jogo contra pressão alta. Tema complementar: Construção de jogo no futebol de formação.
O ponto metodológico decisivo: é a mesma ideia em todos os níveis. As crianças entram na base, os profissionais treinam no topo — mas ninguém tem de reaprender nada. Era exatamente isto que Ruiz entendia por continuidade do método.
Jogo de posição por escalões: um plano por etapas
Como se distribui a escada pelos diferentes escalões? Uma estrutura comprovada na prática:
| Escalão | Foco principal | Formas típicas |
|---|---|---|
| Sub-7 a Sub-9 (5–8) | Relação com a bola, 1 contra 1, jogo livre | Ainda sem jogo de posição — drible, jogos reduzidos, muitos golos |
| Sub-11 (9–10) | Primeiros rondos, primeiro toque, olhar em redor | 4 contra 1, 5 contra 2 lúdico, pequenos jogos com superioridade |
| Sub-13 (11–12) | Rondos posicionais, jogo pelo terceiro homem, abrir o espaço | 4 contra 2 com posições, 4 contra 4 + 3, campos com zonas |
| Sub-15 (13–14) | Jogos de posição direcionados, variações, jogo entrelinhas | 6 contra 6 + 2, jogos em três zonas, construção contra pressão |
| Sub-17 (15–16) | Jogo de posição no contexto do sistema, leitura do adversário | 8 contra 8 com organização estrutural, padrões específicos por posição |
| Sub-19 (17+) | Aplicação do plano de jogo, variabilidade | Formas jogadas em campo inteiro, adaptação ao adversário |
Dois avisos sobre esta tabela:
Não queimar etapas para baixo. O erro mais comum de treinadores ambiciosos: aplicar conteúdos de sub-15 nos sub-11. Um miúdo de nove anos não precisa de uma construção em três zonas — precisa de mil primeiros toques sob ligeira pressão. Orientações: Treino de futebol adaptado à idade.
Não sacrificar o 1 contra 1. Jogo de posição sem coragem para fintar cria máquinas de passes laterais. Ruiz procurava jogadores tecnicamente completos — o drible faz parte da formação tanto quanto o passe. Manter o equilíbrio: Treinar o 1 contra 1.
Seis formas de treino para começar
Formas concretas com as quais podes introduzir o jogo de posição no teu treino — por ordem crescente de complexidade:
1. Rondo 5 contra 2 (a partir de sub-11). Círculo com cerca de 8 metros de diâmetro. Dois toques. Quem perde a bola ou falha o passe troca com o jogador que pressiona. Foco no treino: perfilhamento aberto, passe no pé afastado.
2. Rondo duplo com variação de flanco (a partir de sub-13). Dois círculos de 4 contra 1 lado a lado. Após pelo menos quatro passes, a bola pode ser variada para o outro círculo — o defensor desse círculo torna-se ativo. Foco no treino: quando é o momento certo para variar? Cabeça levantada após o terceiro passe.
3. 4 contra 2 para 4 contra 2 (a partir de sub-13). Dois campos lado a lado, com 4 contra 2 em cada um. Ao fim de seis passes bem-sucedidos, varia-se para o outro campo; dois defesas deslizam para pressionar. O modelo original de «atrair para o espaço reduzido e depois jogar no espaço livre».
4. Jogo de posição 4 contra 4 + 3 (a partir de sub-13/sub-15). Retângulo com cerca de 25 × 20 metros. Duas equipas de quatro, três neutros (um por dentro no centro, dois nos topos). A equipa em posse joga com os neutros em 7 contra 4. Dez passes = um ponto. Foco no treino: procurar o homem central, jogo pelo terceiro homem.
5. Jogo de construção em três zonas (a partir de sub-15). Campo dividido em três zonas. Construção em 4 contra 2 na zona um, passagem para a zona central apenas através de passe no médio criativo desmarcado («dez»), e depois finalização na zona três em 3 contra 2. Foco no treino: paciência na construção, aceleração após bater as linhas.
6. Forma jogada com regra de variação (a partir de sub-15). 7 contra 7 com duas balizas, campo dividido em duas metades verticais (esquerda/direita). Os golos após mudança de corredor no ataque contam a dobrar. Foco no treino: o passe lateral não é um retrocesso — é a arma para desequilibrar.
Todas as seis formas dependem de uma organização rigorosa: dimensões do campo, regras de rotação, bolas de reserva nas linhas. Quem desenha e arquiva estes exercícios de forma clara constrói, ao longo da época, a sua própria biblioteca de jogo de posição — ferramentas para isso: Desenhar exercícios com o Sketch e Criar a tua própria base de dados de exercícios.
O coaching no jogo de posição: o que deves dizer — e o que não deves
O treino de jogo de posição falha menos pelos exercícios do que pela intervenção do treinador. O exercício cria as situações — mas é a intervenção à linha que define se há ou não aprendizagem.
Pergunta antes de mandares. «Onde estava o espaço livre?» ajuda mais do que «Joga para a esquerda!» — afinal, o objetivo é precisamente que as crianças identifiquem os espaços por si próprias. O princípio do questionamento em detalhe: Treino da tomada de decisão no futebol.
Orienta a perceção, não apenas a execução. O passe falhado raramente é o verdadeiro problema — a falta de scanning prévio é que o é. Corrige um nível antes: «O que viste antes de a bola chegar?»
Congela lances-chave — com moderação. Uma ou duas paragens por sessão para que todos vejam: aqui estava a superioridade numérica, aqui estava o espaço livre. Mais interrupções do que isso quebram a fluidez do jogo, da qual o método depende.
Elogia o comportamento correto, não apenas o desfecho. O passe corajoso entre linhas que é intercetado tem mais valor do que o passe lateral seguro. Quem elogia apenas o sucesso imediato fomenta o medo de errar — o oposto do jogo de posição.
Usa a linguagem dos espaços. «Entre linhas», «à mesma altura», «nas costas» — se a tua equipa dominar estes conceitos, consegues orientar em segundos o que outros demoram parágrafos a explicar. O impacto da linguagem do treinador: Comunicação do treinador e feedback.
Os erros típicos no treino do jogo de posição
Posse de bola como um fim em si mesma. Vinte passes sem ganho de espaço não são jogo de posição, são apenas circulação estéril. Cada exercício precisa de um objetivo: uma zona-alvo, quebrar uma linha, uma baliza.
Demasiado complexo cedo demais. Três zonas, cinco regras, dois neutros — e nenhuma criança sabe o que está a fazer. Uma regra nova por semana é suficiente.
Rondos sem acompanhamento. O rondo usado apenas como aquecimento enquanto o treinador coloca cones — o maior desperdício de tempo de treino no futebol.
Jogo de posição apenas para o «onze titular na cabeça». Se apenas os habituais titulares interiorizarem os princípios, o jogo desmorona-se a cada rotação. O método vive de todos falarem a mesma linguagem.
Ignorar a exigência física. Espaços reduzidos são muito intensos: constantes arranques, mudanças de direção, duelos. Quem planeia jogos de posição tem de planear cargas — pausas e rotações fazem parte do exercício. Contexto: Treino próximo da realidade do jogo.
Esquecer a transferência. Fazer rondos à segunda-feira e pedir pontapé para a frente ao sábado confunde a equipa. A ideia de jogo do treino tem de se refletir no jogo oficial — caso contrário, é mero folclore.
De Ruiz a Cruyff e a Guardiola: como uma ideia foi transmitida
Por que vale a pena olhar para um treinador dos anos 70? Porque a história do jogo de posição mostra como as ideias formativas sobrevivem: não através de treinadores individuais, mas através de estruturas que perduram para além deles.
Ruiz (1972–1978) lançou as fundações: recrutamento com base na inteligência de jogo, metodologia contínua, o espaço reduzido como local de aprendizagem. Chegou a orientar a equipa principal temporariamente — mas a sua verdadeira obra foi a estrutura da formação.
Cruyff (a partir de 1988) fez disso uma visão do mundo. Como treinador da equipa principal, exigiu que todos os escalões de formação jogassem no mesmo sistema que os profissionais — dando à metodologia o respaldo institucional de cima que lhe faltava. La Masia, inaugurada como residência em 1979, transformou-se com ele num sistema integrado: ideia de jogo, formação, alojamento, escola.
Guardiola (jogador a partir de 1990, treinador a partir de 2008) foi a prova viva. O médio-defensivo esguio, que o antigo critério físico teria descartado, foi o produto dos princípios de Ruiz — e, como treinador, traduziu o método na era de maior sucesso da história recente de clubes. A sua resposta às críticas ao «tiki-taka» é puro Ruiz: posse de bola sem intenção não serve para nada — trata-se de mexer o adversário para atacar o espaço.
Três gerações, uma ideia. A lição para qualquer clube: uma filosofia de formação que existe apenas na cabeça de um treinador morre quando ele sai. Uma filosofia documentada, treinada e sustentada pela direção do clube sobrevive durante décadas. Como construir uma estrutura assim: Filosofia de treino no clube e Como criar uma academia de futebol.
O modelo competitivo também influencia: as equipas jovens em Espanha jogam 11 contra 11 cedo e competem por pontos desde muito novos — e é precisamente por isso que os clubes com boa formação protegem de forma tão convicta o espaço de aprendizagem no treino. O contexto em detalhe: Sistema de ligas do futebol de formação em Espanha.
Uma unidade de treino completa de exemplo (90 minutos)
Eis como se estrutura uma sessão de jogo de posição para os sub-13 — como modelo para adaptares:
Bloco 1 — Chegada e rondo (20 minutos).
Dois rondos de 5 contra 2 em paralelo, campos com aprox. 8 × 8 metros. Primeiros 5 minutos com toques livres, depois dois toques. Coaching: perfilhamento aberto («Quero que vejas os dois defesas»), passe no pé afastado. Últimos 5 minutos: competição — qual dos campos consegue mais sequências de mais de dez passes?
Bloco 2 — Técnica em contexto (20 minutos).
4 contra 2 com referências posicionais: quatro apoios nos lados de um quadrado (12 × 12 metros), dois defesas por dentro. A cada cinco passes, dois jogadores exteriores trocam de posição — reordenar a perceção. Coaching: olhar por cima do ombro antes da receção; primeiro toque para longe da pressão.
Bloco 3 — Jogo de posição (25 minutos).
4 contra 4 + 3 neutros em 25 × 20 metros. Dez passes = um ponto; o ponto vale a dobrar se o jogador neutro central participou na jogada. Duas séries de 8 minutos, com 2 minutos de pausa entre elas com uma pergunta orientadora: «Quando vale a pena o passe por dentro — e quando é melhor jogar por fora?»
Bloco 4 — Forma jogada com balizas (20 minutos).
5 contra 5 em duas balizas pequenas, campo dividido em dois corredores verticais. Regra: um golo vale a dobrar se a equipa tiver mudado de corredor antes da finalização. Coaching apenas em pausas naturais — o jogo pertence às crianças.
Encerramento (5 minutos). Uma pergunta à roda: «Qual foi hoje o melhor momento em que encontraram o espaço livre?» As crianças respondem, o treinador escuta. A aprendizagem pertence-lhes.
A lógica da sessão: a mesma ideia em cada fase, complexidade crescente, jogo livre no final. Como estruturar sessões de raiz: Planear uma unidade de treino.
Como reconheces a evolução
A formação no jogo de posição não se vê pelos resultados imediatos — uma equipa de sub-13 pode ter um trabalho fantástico e perder 2-4. Onde podes medir o verdadeiro progresso:
No treino:
- As sequências de passes no rondo tornam-se mais longas, mesmo reduzindo o espaço.
- As crianças olham em redor antes de receber a bola — sem que precises de pedir.
- O primeiro toque é feito mais vezes em direção ao espaço livre em vez de voltar para quem fez o passe.
- Surgem mais passes «pelo terceiro homem» — o sinal mais claro de uma compreensão espacial em crescimento.
No jogo:
- Após recuperar a bola, a tua equipa procura o passe em vez do pontapé de alívio.
- Os jogadores oferecem linhas de passe entre as linhas, mesmo em espaços apertados.
- Após passes falhados, a atitude não muda — a coragem mantém-se.
No registo e documentação: Quem avalia regularmente os jogadores nos atributos táticos — leitura de jogo, posicionamento, qualidade de decisão — vê curvas de desenvolvimento em vez de impressões do momento. Ao longo de uma época torna-se visível aquilo que a observação de um só jogo não permite aferir com segurança. Ferramentas: Avaliação de jogadores no futebol e Acompanhar o desenvolvimento de jogadores.
O que é realmente aplicável do mito de La Masia
Para terminar, uma contextualização realista: nenhum clube amador se vai transformar em La Masia. O volume de treinos, a capacidade de recrutamento, a residência — nada disso é replicável. Mas o aspeto essencial do legado de Ruiz nem sequer depende de orçamento. Resume-se a quatro decisões ao alcance de qualquer clube:
1. Recrutamento pela inteligência de jogo e não pela estatura. O médio criativo baixo que hoje perde nos duelos físicos pode ser o teu melhor jogador daqui a três anos. Quem avalia apenas o físico descarta os jogadores errados: Detetar talento no futebol.
2. Um método transversal a todas as equipas. Os mesmos princípios desde os sub-11 até aos sub-19 — para que subir de escalão não signifique reaprender tudo.
3. O espaço reduzido como ambiente-padrão de aprendizagem. Rondos e jogos de posição como parte integrante de todas as sessões, e não como um programa de exceção.
4. Paciência enquanto valor do sistema. Formar no jogo de posição custa resultados nos sub-13, mas compensa com juros nos sub-19. Os clubes que têm capacidade para aguentar este processo perceberam o que realmente importa.
A ideia de Ruiz passou por cinquenta anos de testes práticos — desde o campo de treinos em Barcelona até às seleções campeãs do mundo de 2010. Resulta em qualquer relvado. Também no teu.
A linguagem do jogo de posição: pequeno glossário
Quem trabalha com jogo de posição precisa de termos partilhados — para a equipa técnica e para os jogadores. Os principais:
Rondo: Jogo em círculo com superioridade numérica sem sentido de baliza (p. ex., 5 contra 2). A escola primária do primeiro toque e do perfilhamento corporal.
Jogo de posição / Juego de posición: Jogo com superioridade numérica, sentido de jogo, zonas e referências posicionais (p. ex., 4 contra 4 + 3). Aqui a técnica transforma-se em compreensão de jogo.
O terceiro homem: Um passe que atinge um colega marcado recorrendo a um elemento intermediário. O jogador A não consegue passar para C — então passa para B, que toca de primeira para C. A ferramenta mais eficaz contra marcações individuais.
Entre linhas: O espaço entre as linhas adversárias — por exemplo, entre o meio-campo e a defesa. Quem recebe a bola aí obriga o adversário nas suas costas a mover-se.
Largura e profundidade: As duas dimensões com que as equipas com bola esticam o bloco adversário. A largura abre espaços interiores horizontais; a profundidade (movimentos nas costas da linha defensiva) empurra o adversário para trás.
Variação de flanco: A rápida inversão do centro de jogo após atrair o adversário para um lado. Não é um recuo, mas sim uma alavanca — o espaço livre está quase sempre no lado oposto ao da bola.
Linhas de passe (disponibilidade): A missão constante de todos os jogadores sem bola: criar ângulos, abrir linhas de passe, sair da sombra de marcação. O jogo de posição é 90% movimento sem bola.
Resistência à pressão: A capacidade de manter a lucidez e o rigor técnico sob pressão adversária — tecnicamente (primeiro toque) e mentalmente (manter a calma em vez de dar um pontapé para longe). Desenvolve-se em cada rondo apertado.
Se a tua equipa conhecer estes oito conceitos e os compreender no relvado, fizeste mais treino tático do que muitas equipas em sessões teóricas ao longo de uma época inteira.
Continuar a ler: La Masia: Como treina o FC Barcelona.
Perguntas frequentes sobre o jogo de posição com crianças
Cinco conclusões sobre o jogo de posição com crianças
1. O espaço antes da tática: as crianças assimilam hábitos de perceção, não sistemas — a janela ideal situa-se entre os 9 e os 12 anos.
2. O rondo é a base — desde que seja orientado: primeiro toque, perfilhamento corporal, scanning, velocidade de decisão.
3. Uma escada, uma ideia: do 5 contra 2 aos jogos de posição e ao campo inteiro — ninguém tem de reaprender nada.
4. Orienta através de perguntas e estimula a perceção, não apenas a execução mecânica — e elogia o passe arriscado, mesmo que não resulte.
5. O legado de Ruiz é replicável: seleção pela inteligência, um método para todas as equipas, espaço reduzido como escola, paciência.
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