Formação, tática, princípio: a diferença
A formação é uma disposição posicional: 4-3-3, 4-4-2, 3-5-2. Indica onde os jogadores se posicionam no pontapé de saída. Diz muito pouco sobre o jogo — descobre mais em formações e sistemas de jogo.
A tática é a resposta a um adversário específico: deixamos o médio-defensivo deles livre e fechamos os espaços interiores.
O princípio aplica-se independentemente do adversário: recuperamos a bola em bloco alto. Construímos pelo chão. Garantimos a compensação defensiva de cada ataque com dois jogadores.
Os princípios são mais estáveis do que a tática e mais expressivos do que as formações. São aquilo que resta quando o plano falha.
Os quatro momentos do jogo
Um jogo de futebol pode ser dividido na totalidade em quatro momentos. Esta divisão tem origem na periodização tática e difundiu-se muito para além dela.
1. Organização ofensiva — temos a bola.
2. Organização defensiva — o adversário tem a bola.
3. Transição ataque-defesa — acabámos de a perder.
4. Transição defesa-ataque — acabámos de a recuperar.
A isto somam-se as bolas paradas como uma área própria.
Para cada momento devem definir-se um a dois princípios fundamentais. Nenhuma equipa memoriza mais do que isso, e nenhuma precisa de mais.
A hierarquia: princípios fundamentais, subprincípios e sub-subprincípios
Os princípios organizam-se por níveis:
Princípio fundamental (equipa). «Recuperamos a bola no último terço adversário.»
Subprincípio (setor/grupo). «Na pressão, os defesas-laterais sobem para pressionar os laterais adversários.»
Sub-subprincípio (individual). «O médio-defensivo mais próximo da bola ataca o passe atrasado para o médio adversário.»
A arte não consiste em formular o maior número possível de princípios, mas sim em começar com poucos e aprofundá-los ao longo de várias semanas.
Exemplos: princípios para uma equipa de formação
Para uma equipa de sub-13, basta uma frase por momento:
- Organização ofensiva: Jogamos pelo chão através do meio-campo, sem lançamentos longos pelo ar.
- Organização defensiva: Defendemos em bloco, ninguém salta à pressão sozinho.
- Transição ataque-defesa: O jogador mais próximo da bola pressiona imediatamente, os restantes garantem a cobertura.
- Transição defesa-ataque: Primeiro olhar para a frente, primeiro passe para a frente, se a linha estiver livre.
Isto é um modelo de jogo completo. Quatro frases. Todos os exercícios das semanas seguintes têm de conseguir responder a uma delas.
Como integrar os princípios no treino
Um princípio que é apenas conversado não existe. Tem de ocorrer tantas vezes na forma jogada que se torne intuitivo.
As regras forçam o comportamento pretendido. Se o princípio for «transição após recuperação de bola», a forma jogada precisa de muitas recuperações: campo reduzido, superioridade numérica para os defesas, regra como «o golo vale a dobrar se for marcado nos seis segundos após a recuperação da bola».
Contar em vez de adivinhar. Na primeira repetição, conta quantas vezes o comportamento acontece realmente. Se ocorrer três vezes em vinte minutos, não o estás a treinar. Nesse caso, altera a regra, não o exercício.
Treinar com foco no princípio. Não digas «joga com mais precisão», mas sim «o que tínhamos combinado fazer nesta situação?». É esta pergunta que fixa os princípios na mente dos jogadores.
Um de cada vez. Um princípio por bloco, duas a três semanas de trabalho focado nele, passando só depois ao seguinte. A estrutura semanal mantém-se, a complexidade aumenta.
Princípios a nível do clube
O que se aplica a uma equipa aplica-se ainda mais a um clube. Se cada escalão tiver os seus próprios princípios, cada jogador recomeça do zero a cada mudança de treinador.
É exatamente este o segredo que distingue La Masia, Ajax e Red Bull de clubes que apenas têm boas gerações por mero acaso: uma linha contínua que não desaparece com a saída do treinador. Sabe mais em filosofia de treino uniforme no clube e filosofia de treino.
Para o clube, isto significa: três a cinco princípios que se aplicam a todas as equipas e total liberdade para tudo o resto.
Erros comuns
Princípios a mais. Quem escreve doze frases não tem princípios, tem um documento burocrático.
Princípios que não o são. «Jogamos de forma atrativa» não é uma instrução. «Construímos pelo chão a partir de trás» já o é.
Princípios sem treino prático. Se nenhum treino responder a um princípio, ele simplesmente não existe.
Princípios contrários aos próprios jogadores. Se os defesas-centrais não conseguem segurar a bola sob pressão, a construção pelo chão contra uma pressão alta é o princípio errado. Primeiro a capacidade, depois o princípio.
FAQ: Perguntas frequentes sobre princípios de jogo
Conclusão
- Um princípio de jogo é uma frase que descreve o que a equipa quer alcançar num momento do jogo — independentemente do adversário.
- Os quatro momentos do jogo são a organização ofensiva, a organização defensiva e os dois momentos de transição. As bolas paradas complementam-nos.
- Um a dois princípios fundamentais por momento são suficientes. Quatro frases constituem um modelo de jogo completo.
- Os princípios integram-se no treino através de regras, não de palestras. Conta quantas vezes o comportamento pretendido acontece realmente.
- A nível do clube, os princípios são a linha orientadora que não desaparece com a saída do treinador.
No Coach OS é possível definir uma ideia de jogo como fio condutor transversal a todas as equipas — quais os princípios a adotar é uma decisão do clube. O Coach OS sugere. O treinador decide. Sempre.