A estrutura
Oito jogadores formam uma roda ou um quadrado. Dois jogadores posicionam-se no meio e tentam recuperar a bola. O espaço é intencionalmente reduzido – frequentemente cerca de dez por dez metros –, para criar pressão real.
Joga-se a um toque. Este é o cerne da questão: receção e passe fundem-se, não há tempo para pensar. É exatamente esta exigência que torna o exercício tão desafiante e tão eficaz.
As regras
- Oito para dois, a um toque.
- Os jogadores exteriores mantêm a posse de bola, os dois no meio pressionam para recuperar.
- Quem perde a bola ou faz um mau passe vai para o meio.
- Objetivo habitual: 20 ou 30 passes consecutivos sem perda de bola. Se o conseguirem, os jogadores de fora festejam e aplaudem na direção dos dois do meio.
Em alguns vídeos de treinos, ouve-se os jogadores a contar os passes em voz alta. Não é por acaso – aumenta a competitividade e torna o sucesso tangível.
Por que razão este formato é tão eficaz
Os oito jogadores exteriores garantem que há sempre linhas de passe suficientes. Desta forma, o ritmo mantém-se extremamente elevado e os jogadores entram em fluidez. Ao mesmo tempo, jogar a um toque exige a máxima precisão e concentração.
São treinados vários aspetos em simultâneo:
- Primeiro toque sob pressão de tempo. Com apenas um toque, tudo tem de sair perfeito de imediato.
- Orientação corporal. Os jogadores ajustam constantemente o ângulo, rodam a anca e dão um passo à frente ou atrás para conseguirem executar o passe seguinte de forma limpa.
- Atrair a pressão. Jogadores mais avançados aproximam-se deliberadamente do colega para atrair pressão – saindo depois dessa pressão com um passe longo para manter a sequência.
- Pressing no meio. Os dois jogadores a pressionar também trabalham intensamente: fechar linhas de passe, tapar ângulos e atacar no momento certo.
Guardiola utiliza este exercício quase diariamente, pois desenvolve com precisão as capacidades de que as suas equipas necessitam em jogo – precisão em espaço reduzido e reação imediata à perda.
Como adaptar o exercício à tua equipa
Não precisas de ser um clube da Liga dos Campeões para trabalhar este formato. Eis três variáveis ajustáveis:
Número de jogadores. Não tens dez jogadores? Não há problema. O 6 para 2 ou o 7 para 2 funcionam com base no mesmo princípio.
Toques. Jogar a um toque é demasiado difícil para muitas equipas amadoras e do futebol de formação. Começa com dois toques e reduz assim que o exercício fluir.
Dimensão do campo. Jogadores mais jovens ou menos experientes precisam de mais espaço. Define o campo com dimensões suficientes para permitir um passe limpo – e reduz o espaço passo a passo.
Ponto de treino para todos os níveis: Pede aos teus jogadores para contarem os passes em voz alta e festejarem quando atingirem a meta. Esta pequena competição eleva imediatamente o ritmo e a concentração.
Ler mais: Manchester City: Como treina Guardiola.
Perguntas frequentes
Conclusão
O rondo 8 para 2 é o clássico de Guardiola para o aquecimento: ritmo elevado, um toque, concentração total. Treina o primeiro toque, a orientação corporal e o pressing num único exercício – e adapta-se a qualquer equipa.
Podes encontrar mais variantes de rondos e como orientá-los de acordo com a faixa etária no guia completo de rondos para treinadores.
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