As três variáveis de ajuste
Antes de abordar os escalões: quase todos os problemas num rondo podem ser resolvidos através destas três variáveis, ajustando sempre apenas uma de cada vez.
A dimensão do campo determina a pressão. Se for demasiado grande, nada acontece. Se for demasiado pequeno, a bola perde-se constantemente. Regra prática: se os jogadores exteriores mantiverem a bola cinco vezes consecutivas, reduz o espaço. Se a perderem três vezes seguidas, aumenta-o.
O número de defesas define o desafio cognitivo. Um defesa significa: encontrar a linha de passe livre. Dois significam: identificar qual deles está a fechar o espaço. Três significam: ler a sombra de cobertura.
O limite de toques determina o ritmo. É a variável mais exigente das três e deve ser ajustada em último lugar, nunca em primeiro. O contributo metodológico do rondo pode ser consultado no guia de rondos.
Quatro formatos por escalão
Exercício 1: Sub-7 e sub-9, 4 contra 1
Estrutura
Quadrado de dez a doze metros, quatro jogadores por fora, um no meio. Deliberadamente amplo.
Dinâmica
Os quatro mantêm a posse de bola. Quem a perder vai para o meio. Sem limite de toques, sem regras adicionais.
Ponto de intervenção
Apenas elogiar. Quem tem de ir para o meio deve rir-se e não ficar frustrado. A única correção que vale a pena: «Movimenta-te quando não tens a bola.»
Progressão
Dois defesas em vez de um, assim que a bola circular mais de três voltas completas.
Porquê este formato
Um defesa é suficiente porque a tarefa aqui não é tática, mas sim motora. O foco está no primeiro toque e na ideia de criar apoios.
Exercício 2: Sub-11 e sub-13, 5 contra 2
Estrutura
Quadrado de doze a catorze metros, cinco por fora, dois no interior.
Dinâmica
Manutenção da posse a dois toques: receção, passe. Perda de bola implica a troca com o jogador que falhou o passe.
Ponto de intervenção
A orientação visual acontece antes da receção, não depois. Uma pergunta é suficiente: «Já sabias para onde ias jogar antes de a bola chegar?»
Progressão
Avançar uma posição após o passe. Desta forma, adiciona-se o movimento sem bola.
Porquê este formato
O 5 contra 2 é o clássico porque oferece linhas de passe suficientes para gerar sucesso e, ao mesmo tempo, pressão real. O segundo toque continua a ser permitido porque o primeiro ainda não está consolidado nesta idade. Como podes trabalhar este aspeto encontras no artigo sobre o primeiro toque.
Exercício 3: Sub-15 e sub-17, 6 contra 3 com pontos
Estrutura
Hexágono ou quadrado de catorze metros, seis por fora, três no interior.
Dinâmica
Um toque, sempre que possível. Pontuação por linha de passe: o passe para o colega ao lado vale um ponto, o passe a saltar uma posição vale dois, o passe pelo meio vale três.
Ponto de intervenção
O sistema de pontuação treina por ti. Em vez de gritares «joga com mais coragem», a regra recompensa o passe arrojado. O teu papel passa apenas a ser contar em voz alta.
Progressão
Os jogadores interiores podem fazer dois passes após a recuperação de bola antes de haver troca. Assim, introduz-se o momento de transição.
Porquê este formato
Três defesas geram sombras de cobertura reais. Agora vale a pena falar de linhas de passe. Detalhes em passes que quebram linhas.
Exercício 4: Sub-19 e seniores, 8 contra 2 com variação de centro de jogo
Estrutura
Quadrado maior de dezoito metros, oito por fora, dois no interior, cada lado ocupado por dois jogadores.
Dinâmica
Um toque. Antes de cada variação de flanco, devem ser realizados pelo menos quatro passes no setor onde a bola se encontra.
Ponto de intervenção
A paciência é o foco principal, não a velocidade. A equipa deve primeiro atrair o adversário e só depois variar o centro de jogo, em vez de jogar logo em largura.
Progressão
Um terceiro defesa ou uma baliza pequena em dois dos lados, para a qual se pode jogar após dez passes.
Porquê este formato
O 8 contra 2 mantém a posse de bola quase de forma natural e torna-se rapidamente monótono — a menos que a regra exija algo específico. A versão sem regra adicional pertence ao aquecimento, não à parte principal. Sobre isto: rondo no aquecimento e o 8 contra 2 de Guardiola.
Visão geral
| Escalão | Formato | Toques | Foco |
|---|---|---|---|
| Sub-7, sub-9 | 4 contra 1 | livres | Sensibilidade de bola, linhas de apoio |
| Sub-11, sub-13 | 5 contra 2 | dois | Primeiro toque, pré-orientação |
| Sub-15, sub-17 | 6 contra 3 | um | Linhas de passe, transição |
| Sub-19, Seniores | 8 contra 2 | um | Paciência, variação do centro de jogo |
O princípio subjacente: adapta o formato ao escalão, não o escalão ao formato.
Erros comuns
Um toque demasiado cedo.
Ajustar a variável mais exigente logo de início é o erro mais frequente. Quem ainda não domina o primeiro toque só acumula passes falhados com a imposição de um toque e perde a motivação.
Espaço demasiado reduzido nos mais novos.
Nos sub-7, o sucesso é mais importante do que a pressão. Mais vale demasiado amplo do que demasiado apertado.
O defesa como castigo.
Quem tem de ir para o meio não perdeu; assumiu apenas o outro papel. Se a mensagem for transmitida de forma contrária, as crianças deixam de arriscar.
Sempre o mesmo formato.
Os rondos tornam-se rotina rapidamente. Mudar uma regra por semana é suficiente para manter a concentração ativa. Que outros erros são típicos podes consultar nos erros mais frequentes no treino de rondos.
Demasiado tempo consecutivo.
Quatro a seis minutos por série e depois muda de exercício. Um rondo de vinte minutos treina, acima de tudo, a fadiga.
Como distribuir ao longo da época
Os rondos toleram a repetição melhor do que quase qualquer outro formato, mas precisam de uma direção. Um modelo prático para oito semanas: duas semanas com o mesmo formato-base sem regras adicionais, para consolidar. Depois, quatro semanas com uma regra adicional diferente por semana. De seguida, duas semanas com o formato-base seguinte mais exigente.
Quem planeia isto para uma época inteira em vez de decidir semanalmente consegue gerir o ano com apenas quatro formatos. No Coach OS defines o escalão, o número de jogadores, o espaço e o material uma única vez; a periodização distribui os exercícios de posse ao longo da época, evitando teres de procurar novos conteúdos todas as semanas. A base de dados de exercícios inclui mais de 1.244 exercícios animados, com filtros por idade, número de jogadores e foco de treino.
O Coach OS sugere. O treinador decide. Sempre.
Conclusão
- Três variáveis de ajuste: dimensão do espaço, número de defesas e limite de toques. Ajusta sempre apenas uma de cada vez.
- Sub-7 com 4 contra 1 sem regras, sub-11 e sub-13 com 5 contra 2 a dois toques, sub-15 e sub-17 com 6 contra 3 e sistema de pontos, a partir dos sub-19 com 8 contra 2 e regra de variação de jogo.
- O limite de toques introduz-se em último lugar, nunca em primeiro.
- Quatro a seis minutos por série e depois alternar.
- Quatro formatos sustentam uma época inteira se alterares uma regra por semana.